quinta-feira, 6 de maio de 2010

By the time I get to Arizona

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cartazes contra a lei na rua Mission, em San Francisco


Levo umas semanas na Bay Area, felizmente desconectado do que passa polo mundo mas não de todo do que passa neste bendito pais, sem dúvida o favorito de deus, os unitedstatesofamerica. E uma das movidas que mais se comentam estes dias é a polémica (por não dizer diretamente impresentável) lei aprovada polo estado de Arizona. Uma lei que, basicamente, outorga à policia estatal o poder de deter e eventualmente deportar a imigrantes indocumentados-algo que deveria ser potestade exclusiva das autoridades federais. Ainda mais: esta lei obriga a que a policia lhe requira a documentação a qualquera persoa que resulte sospeitosa de estar ilegamente no país. Mas, quem é sospeitoso? Evidente e innegavelmente, qualquera que tenha pintas de mexicano. Ainda que os promotores da lei o neguem, não hai nenguma razão objectiva que poida apuntar a que uma persoa não está a residir legalmente nos USA, agás o preconceito racial.


Agora bem, a aprovação desta lei tem suscitado um raro consenso... na sua contra. Por dar um exemplo local (para mim polo menos, hehehe), o concelho de San Francisco vem de anunciar a sua intenção de boicotar todas as empresas de Arizona, mentres a lei esteja em vigor. Grave e valente decisão, sem dúvida. Outro exemplo significativo é o do periódico da universidade de Stanford (a qual não se caracteriza por ser particularmente progressista), e que sacou um editorial oponhendo-se à lei. Mas quiçais o mais rechamante seja a jogada dos Phoenix Suns (a equipa de Arizona) que esta tarde jogárom o seu partido de playoffs contra os Spurs com umas camisolas que ponhiam "Los Suns". Coincide que hoje era o 5 de maio, a festa dos mexicanos. Mas esta chiscadela não era um inocente gesto de simpatia cara o vezinho do Sul: ao contrário, tanto os proprietários da equipa como os jogadores se preocupárom de sinalar que este gesto era político, e tinha como objectivo a derogação da devandita lei. Num comunicado oficial, o clube di que "o resultado da aprovação desta lei é que se questionam os nossos princípios básicos de igualdade de direitos e protecção polas leis". O capitão Steve Nash di que "obviamente, os jogadores temos um problema com o que representa esta lei para o nosso Estado e para as nossas liberdades". A mais alto nível, a associação de jogadores da NBA "apoia firmemente a revogação ou imediata modificação desta legislação". Mesmo o comissionado David Stern di que o que estão a fazer os Suns lhe parece "apropriado". Os Spurs, pola sua banda, queriam jogar com a camisola de "Los Spurs" mas não puidérom por problemas logístico/burocráticos. E todo isto num deporte e numa liga que, mália a esmagadora procedência "working class" e ainda afroamericana dos seus jogadores, quase nunca se significa politicamente... pois, como dixera Michael Jordan naquela famosa frase, "os Republicanos também compram zapatilhas".




Enfim, reconforta um chisquinho saber que hai uma maioria popular que se opõe a estas medidas, e que não vacila em manifestar a sua oposição mesmo em âmbitos nos que se poderia pensar que é melhor estar calado. Como banda sonora, vamos escoitar mais uma vez aos Public Enemy, que já 20 anos há tinham ao Estado de Arizona no ponto de mira. Good luck, brothers... show'em what'cha got!
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P.S. Los Suns ganhárom o partido.

2 comentários:

Óscar de Lis disse...

Obrigado por nos trazeres estas novas que não se podem ver por nenhures aqui. Obrigado e parabéns polo caderno.

Sr. J disse...

Graças a ti por comentares. Moi interessante o teu blogue d'a conjura dos néscios, deixarei-me cair por ali de quando em vez. Saúdos.