domingo, 19 de fevereiro de 2012

Adeus BNG! É tempo de construir



Já foi...

O dia seguinte à XIII Assembléia Nacional dei-me de baixa como militante do BNG. A paciência nunca foi a melhor das minhas virtudes, e já nom tinha vontade de seguir enleado em dialéticas internas, que nada aportam (nem “clarificam”) e que tam só servem para distrair a atençom da militância. Na dinâmica na que leva tempo imerso o BNG, o verdadeiramente importante (propor-lhe à cidadania galega uma alternativa ao horror neoliberal-espanholeiro dominante) adia-se continuamente ante o urgente (a necessidade fatigante e absorvente de marcar território internamente). O BNG já nom lhe oferece ao povo galego um projeto de país concreto, um plano de acçom com objetivos realizáveis a curto, meio e longo prazo. No seu lugar, propom reconcentrar-se num discurso de "mais nacionalismo", válido talvez para o consumo interno, mas que nada oferece aos segmentos da sociedade que ano trás ano se fôrom desencantando com o BNG. No percorrido desde os quase 400.000 votos que colheitava hai 15 anos à metade que tem agora foi-se perdendo a conexom com muitas gentes que viram algo diferente no BNG: uma força “com jeito”, uma esquerda audaz com os pés na terra, nom sectária, aberta aos segmentos mais dinâmicos e críticos da sociedade. Uma boa parte da cidadania progressista galega perdeu a confiança no BNG, entre outros motivos (nom todos endógenos, certo) porque este leva tempo empenhado em que assi seja. Velaí o desprezo cara as novas formas de descontento popular (de Galiza Nom se Vende ao 15-M), que pode ser considerado um sintoma ou uma causa, ao gosto do consumidor. Nom falo já de outras circunstâncias relacionadas com o deterioro da convivência interna, nom porque nom tenham importância nem muito menos, senom por nom botar mais lenha ao lume. Nom che estamos no momento de reviver rancores, por muito que seja uma atividade à que se adicam gostosos tantos internautas. Enfim, sei que as razões apontadas podem parecer um tanto etéreas, e que a situaçom é difícil de entender desde fora... poderia estender-me mais, mas a análise do passado nom é o mais importante agora. O fundamental resume-se em que o BNG é a dia de hoje uma ferramenta infrautilizada sem remédio à vista, e que portanto é preciso atuar fora del.

A que andamos:

Pois já estamos a pôr os alicerces dum novo projeto que procure uma saída a este enguedelho, e neste senso a assembléia do Encontro Irmandinho do passado 12 de Fevereiro representou um ilusionante ponto de inflexom. Foi-che o que se di um evento singular, onde se percebeu claramente como mudava o ambiente segundo passava o tempo. Ao chegar palpava-se uma incerteza generalizada, ninguém as tinha todas consigo. Mas fôrom sucedendo-se as intervenções, umas trinta, e vimos que todas (com uma única exceçom) iam na mesma direçom, deixar o BNG e principiar um projeto novo. O mais importante, com todo, nom foi a unanimidade das intervenções: nom era tanto o contido, senom o tom. Gerou-se uma onda de ilusom, de pensar em positivo depois de muito tempo, nas possibilidades que se abrem em lugar de nos males menores. Entre os centos de persoas que assistimos (as cifras variam segundo as fontes, entre 500 e 800; seguramente mais perto da primeira, mas em todo caso muita gente) o ambiente virou em otimismo ao longo da tarde. E assi, quando chegou o momento de decidir, nom houvo nem sequera que votar, já que aprovamos por aclamaçom fretarmos um novo barco e sair a navegar por novos rumos. E nessas andamos agora, no começo desse processo, que é logicamente a construçom duma nova nave.

Cara onde tirar?

O fracasso do modelo frentista no BNG dá uma primeira chave: melhor criar UM PARTIDO que uma frente. Um partido que, evidentemente, será de ESQUERDA, uma esquerda plural onde tenham cabida -visto os agentes implicados- desde a socialdemocracia clássica até o comunismo. Logicamente terá caráter nacional galego, chame-se soberanista se se quer. O modelo dum partido com ideologia definida mas plural nom é nenguma utopia; ao contrário, é o que seguem alguns dos exemplos mais válidos da esquerda atual, como a alemã Die Linke, o brasileiro Partido dos Trabalhadores, ou mais perto de nós o Bloco de Esquerda português. Assi pois, que gentes poderiamos conformar este novo sujeito? É claro que, como mínimo, o Encontro Irmandinho, Esquerda Nacionalista, e Ecogaleguistas, três forças que já estám, de iure ou de facto, fora do BNG. A maiores, toda a gente de Mais Galiza que decida dar o passo de deixar o BNG; nom creo que todos o fagam, mas si que vam ser muitos em qualquer caso. Nom tenho claro que este deva ser o projecto do PNG-PG, que na minha opiniom deveria tentar construir um polo de centro nacionalista à margem dos projetos atuais... mas vendo que o seu líder, o Xosé Mosquera, se identifica com o PT de Lula, nom tenho nada que objectar ;-) Por suposto, cumpre incorporar tamém a gente que deixou o BNG em diferentes momentos e agora nom tem adscriçom partidária; muitos já se achegárom, ou o estám a fazer. Tamém a gente do campo da autodenominada esquerda independentista, de forças como o Movimento pola Base, a Frente Popular Galega, a OLN, etc. Dentro deste último setor, é significativo que Causa Galiza decidisse começar conversas oficiais com o Encontro de cara a uma possível confluência. A fim de contas, uma das intervenções mais celebradas na assembléia do EI foi a de ‘Foz’. E, finalmente, nom me colhe dúvida de que, se finalmente somos quem de artelhar um projeto destas características, imo-nos topar mais cedo que tarde com muita gente sem experiência militante em nengum partido; gente com inquedanzas políticas, mas que até agora nom se achegara aos partidos que existiam no campo da esquerda ou o nacionalismo.

Haverá que ver em que fica todo, mas como versom atualizada do conto da leiteira, coido que nom está mal ;-)


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A CIG potência a criaçom de cooperativas de trabalho associado como alternativa ao modelo capitalista



Continuando com a temática do post anterior, recolho agora esta notícia da web da CIG.

Neste tempo de crise do modelo socio-económico, de necesidade de implementar alternativas que dean cumprida resposta á creación e vertebración dun novo sistema máis xusto e solidario, a posibilidade das cooperativas de traballo asociado son alternativas reais xa existentes en Galiza que se afastan dos modelos empresariais ao uso. Trátase de iniciativas nas que se deseñan empregos coexistentes con obxectivos da economía social, modelos sustentábeis e respectuosos na convivencia entre iguais e co medio onde se integran.

A CIG, que xa asesorou outras iniciativas de cooperativas, ofrece agora o servizo do Gabinete de Economía Social aos seus afiliados/as. A central nacionalista considera que debe dar este paso novamente, polo que tamén porá os seus locais a disposición dos promotores para que poidan celebrar as reunións de vertebración destas iniciativas cooperativistas. Ao mesmo tempo, e dada a importancia destas iniciativas, a CIG impartirá dentro de todas as accións formativas un módulo informativo sobre cooperativismo e cooperativas de traballo asociado.

As máis diversas correntes do pensamento social, económico e político consideran o cooperativismo como instrumento importante na solución dos problemas económicos e sociais, en canto que pola súa flexibilidade achega respostas diante de necesidades cambiantes da economía e da sociedade. É de xustiza o recoñecemento á presenza do cooperativismo en Galiza, certamente significativa, que se pon de manifesto, entre outros datos, no número de máis de 83.000 socias/os, o que significa a existencia de cooperativistas nun de cada once fogares galegos.

Por outra banda, máis do 2% das ocupadas e ocupados galegos están vinculados ao cooperativismo, cunha contribución cualitativa que se reflicte no maior nivel de estabilidade, de igualdade de xénero e na presenza en actividades vinculadas cos sectores primarios. Ademais, o cooperativismo ofrece valor ao conxunto da economía xa que o seu volume de facturación total achégase aos 2.300 millóns de euros, cun valor engadido bruto total próximo aos 362,1. Por referírmonos ao cooperativismo agrario, é salientábel que ten presenza en 120 concellos, a maior parte dos do medio rural, o que constitúe, sen dúbida, un factor beneficioso para o asentamento da poboación. Amais disto, as cooperativas permiten unha racionalización de custos, a mellor compatibilización da vida profesional e familiar, a formación das socias e dos socios, o acceso a mecanismos de información e presenza nos foros de decisión sectorial que lles afectan.

Por outra parte, estamos diante dunha fórmula de economía social válida como calquera outra das máis usuais, que en moitos casos presenta vantaxes sobre outras modalidades, derivadas da adscrición voluntaria, a comunidade de intereses e a unidade entre as socias e os socios. Isto carrexa un nivel de compromiso coa entidade creada forte en comparación con outro tipo de sociedades. Así, o cooperativismo acredita unha importante capacidade de resistencia ás crises, con comportamentos anticíclicos e de mantemento do emprego en circunstancias adversas. En definitiva, o cooperativismo galego intégrase, para todos os efectos, positivamente no seu contorno natural e ofrece influencias beneficiosas en factores como rendas e emprego, desenvolvemento local, permanencia dos proxectos, formación, educación e benestar.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Contra o paro, cooperativismo e inovaçom (outra volta, Mondragon)




No mesmo dia no que a enquisa de povoaçom ativa anúncia que no Estado Espanhol hai 5,3 milhões de parados, o jornal El Pais fai-se eco dumha das excepções a este panorama: o município gipuskoano de Oñati, na comarca do Alto Deba. Aqui a taxa de paro é de apenas o 5.4%, nada menos que 17 pontos por baixo da média estatal. E a renda per cápita é de 44.000 €, mui por riba da do resto de Euskadi (27.000 €), apesar de que esta é já superior à de Espanha.

Os alicerces deste bem-estar atopamo-los na base da economia: o trabalho, e na forma em que está organizado. E é que dous terços das empresas da zona som cooperativas do grupo Mondragon, do que já temos falado neste blogue, ainda que só de passada. Neste grupo, peça chave do modelo econômico vasco (e considerado a maior cooperativa de trabalhadores do mundo, para além de ser o maior grupo empresarial vasco e o 7º do estado), a participaçom dos trabalhadores nom tem o carácter de excentricidade que tem no resto do Estado. Entre outras caraterísticas, os trabalhadores som sócios cooperativos, participam na gestom, e sigue-se o princípio de 1 sócio = 1 voto. Os despedimentos nom existem. E a relaçom entre a máxima e a mínima remuneraçom tem que ser menor que 6 (seica anda sobre 3.5).

Mondragon inclui cooperativas industriais, de crédito, de consumo, e mesmo educativas. Tem a sua própria universidade, Mondragon Unibertsitatea, que - a diferença do que é habitual nas universidades privadas espanholas - nom se limita a vender títulos aos filhos de ricos, senom que aposta decididamente polo I+D+i. Algo que lhes ajuda a terem uma das porcentages de titulados superiores mais altas do estado, e um tecido empresarial inovador e internacionalizado.

Para saber mais sobre o funcionamento da gestom cooperativa, recomendo duas ligações a webs brasileiras (aqui e aqui). Também é interessante ler esta entrada na Wikipedia, especialmente o ponto 4, onde se fala das limitações (que também as hai) do modelo cooperativo. Em conjunto, parece-me um excelente exemplo de como fazer caminho ao andar, que é a única maneira de avançar politicamente, na minha opiniom. Bem podiamos imitar nós, na Galiza, esta "via vasca ao socialismo" (autogestionário).

P.S. Um derradeiro apontamento: em Oñati os partidos espanhóis nom tenhem representaçom. O governo local é de Bildu, que tem maioria absoluta com 11 concelheiros sobre 17, e os 6 restantes som do PNV, o partido que tinha a alcaldia no periodo anterior.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Orçamentos participativos em Sam Sadurninho


Fazendo caminho em Sam Sadurninho (foto: Manolo Feal)

O concelho de Sam Sadurninho (terra de Trasancos) é o melhor exemplo que temos na Galiza de democracia participativa a nível local. O governo municipal leva 4 anos impulsando a participaçom cidadã no processo de elaboraçom dos orçamentos, através de debates em assembleias parroquiais. Esta aposta pola democracia de base tem um amplo respaldo popular, como demostra o feito de que o passado 2011 o BNG, da mão do alcalde Secundino Garcia Casal, nom só recuncou na alcaldia senom que ademais passou a ter maioria absoluta. Este boletim do concelho explica moi bem como funciona o sistema, que por certo é bem simple e semelha facilmente exportável a outros concelhos do país. E por certo, nom é o único aspecto no que Sam Sadurninho dá exemplo: tamém no eido medioambiental se tenhem levado a cabo iniciativas modélicas. Tomem nota, alcaldes doutras terras.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Morreu o Isaac



Hoje morreu Isaac Díaz Pardo e Galiza ficou de súpeto mais fraca, mais cativa, mais famenta de formas e de pensamentos. Menos país. É impossível fazer-lhe justiça em poucas palavras, assi que nem o tentarei. Outros que conhecérom mais a fondo a sua vida e a sua obra já o estám a fazer, como deve ser. Eu conhecim a sua persoa moi novinho, por ter vivido perto da sua fábrica do Castro, em Sada. Era uma excursom obrigada quando ia ao colégio em Mondego, na EGB. Tratavam-nos moi bem, amosavam-nos a fábrica e deixavam-nos trebelhar com os tornos dos alfareiros, para fazer figuras que despois coziam para nós. Mas o melhor era quando no colégio faziamos concursos literários e artísticos com o galho do dia das Letras Galegas. Eram cousas de cativos, mas os de Sargadelos (ou seja Isaac) apoiavam-nos com entusiasmo. Cada ano elegiam um desenho de entre os apresentados polos alunos, e usavam-no para fazer as medalhas com as que se premiava aos ganhadores dos concursos de poesia, relato, etc. No dia das Letras adicado a Álvaro Cunqueiro eu tinha 11 anos e debuxara um animal fantástico inventado por D. Álvaro, o Gatipedro. Já podedes imaginar a minha ilusom quando escolhérom o meu desenho para as medalhas de aquel ano. Foi daquela, seguramente, quando escuitei falar por primeira vez do Isaac Díaz Pardo. Com o tempo fum aprendendo mais cousas sobre el e sobre a sua trajectória, excepcional em tantos sentidos. Mas como já dixem, seria absurdo que eu tentasse resumi-la agora, assi que nom direi mais nada. Até sempre, Isaac. Moitas graças por todo. Obrigado. Que a terra che seja leve.

Coda: De entre os muitos textos que saírom após a sua morte, recomendo este d'O Rivas com o título de O segredo de Isaac, assi como o de Pepe Barro, Misión e Produción. Som complementários (o primeiro está centrado na vida e arte, o segundo na empresa e o desenho) e fôrom publicados em El País. Boa leitura!

domingo, 1 de janeiro de 2012

Luis Soto, entre Marx e Castelao


Vem de sair do prelo um livro do coiote -natural de Coia- Xurxo Martínez sobre a figura de Luís Soto, personalidade fulcral na esquerda galega do passado século. O próprio autor falou do tema numa entrevista reproduzida no seu blogue, e Daniel Salgado publicou um artigo ao respeito em El Pais, que se reproduz a seguir (traduçom própria).

O professor conhecera a miséria em primeira persoa. A República ainda nom chegara. Era 1927. Na aldeia arraiana de Buscalque, entom concelho de Lóbios e hoje baixo as augas dum encoro, Luis Soto colidiu com a realidade da Galiza descalça. "Em Buscalque nunca me entrou na escola um neno calçado, nem é comum atopar com sapatos ou zocos uma persoa maior", relatou, meia década mais tarde, na revista Escola de Trabalho, "e tal é a sujeira e miséria que puidem observar e verificar que as mães com quatro ou cinco crianças nom sabiam lavar-se ou lavar as roupas dos seus filhos. Geralmente nom cozinham para preparar alimentos e fam o menu com pão e bacalhau ou toucinho cru, quando o tenhem."

Soto (A Bola, 1902 - Cidade do México, 1981) nunca se resignou a esta realidade – uma na que chegou a contar as enfermidades de sarampo, coqueluche, escabiose, tracoma, disenteria, caxumba, eczema e viruela. E contra a resignaçom participou da fundaçom do sindicalismo galego do ensino, enrolou-se no comunismo e tentou a síntese do marxismo e a questom nacional. Foi para o exílio, retornou ao seu país natal, militou na clandestinidade, formou partidos políticos, cindiu-se pola esquerda dos mesmos partidos que constituira e mesmo redigiu umas exuberantes memórias do século. Mas a sua figura apenas estava viva em memórias de excamaradas e notas a rodapé da história dos movimentos de emancipaçom com Galiza como sujeito histórico. Até que o investigador Xurxo Martinez González recompilou a história duma vida em Luis Soto. A xeira pola unidade galega (Xerais, 2011).

"A grande contribuçom de Soto foi o ser capaz de conceber a necessidade de estruturas, organizações e partidos de esquerda com Galiza como referência", considera, de entrada, Martínez " e o seu grande logro final, a fundaçom da Uniom do Povo Galego (UPG) em 1964. " Mas nom resultou, em absoluto, uma viage tranquila. El começara com ATEO, a Associaçom de Trabalhadores do Ensino de Ourense, em cujo seio operava quando o 14 de abril de 1931 caiu a monarquia de Alfonso XIII. Integrada na Federaçom de Trabalhadores do Ensino da UGT, e já em posições comunistas, Soto promoveu a criaçom da sua secçom galega.

Som esses os anos nos que, segundo as anotações do autor de A xeira pola unidade galega, brotam as primeiras exigências entre os militantes do Partido Comunista de Espanha de galeguizar l organizaçom. Exemplifica-o a anedota de Benigno Álvarez, comunista ourensão que optou a escano nas filas da Frente Popular de 1936 junto a Alexandre Bóveda, e que se negara a falar castelhano no IV congresso do PCE em Sevilla. "Falo o idioma das classes pobres de Galiza, o galego", espetou Álvarez à presidência. Resolvérom-o com um tradutor, camarada português. "Nom hai dúvida de que houvo um debate surgido arredor da criaçom duma federaçom galega do PCE ou do PC de Galiza", escreve Martínez Gónzález, "e aqui Luís Soto foi um dos seus mais firmes defensores".

Mas o 18 de julho do 36 todo escacha em dous. Soto foge de Vigo, passa a Portugal, de ali à França e depois zona republicana. Em Valencia reencontra-se com os nacionalistas. E com Castelao, cabeça de Solidariedade Galega Antifeixista e em cuja secretaria viajaria a Cuba e aos Estados Unidos. De ali ao exílio mexicano e a participar no espectro do Governo galego no exílio, o Conselho de Galiza. A mediados dos sessenta, de novo o seu país. Com os rebeldes do Conselho da Mocidade, entre outros Méndez Ferrín, Celso Emilio Ferreiro ou Luís González Blasco, Foz, organizam a UPG. O ideal, um partido comunista e patriótico, o que ardia na cabeça de Soto desde o seu tempo como pedagogo polo rural ourensão. Doze anos depois estava fora.

"El conta-o ao jornalista Xavier Navaza na revista Teima", lembra Xurxo Martínez, "na que acusa à direçom da UPG de direitista, estalinista e pequeno-burguesa". UPG-Linha proletária e depois o Partido Galego do Proletariado (PGP), já com o regime autonômico em marcha mas como ronsel dum período político anterior, acolheriam os seus derradeiros esforços militantes. E o esquecimento.

"Já dixem que se, na crise de 1976, Soto ficasse na UPG, este livro já estaria escrito", sinala Martínez, "nom se pode negar o seu trabalho tam importante nos terrenos sindical, político, associativo e cultural". O labor de Xurxo Martínez, que nom agacha a sua "complicidade e simpatia" polo personage, tecida a base de documentos, entrevistas, hemeroteca, e apoiada em amigos do próprio Soto -Xosé González, Ferrín, García Crego- contribui a reparar, postumamente, as feridas de aquel velho frentepopulista.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A odisséia de Beiras num país náufrago


Lindas e certeiras
palavras d'O Rivas sobre O'Beiras


Deixarán entrar a Xosé Manuel Beiras na homenaxe a Xosé Manuel Beiras?


A broma ven a conto por un sucedido que narrou Vladimir Nabokov, e que trataba dunha homenaxe a un poeta ruso na súa vila natal, despois dun período de ausencia en que o deron por desaparecido. Cando ía comezar o acto, ocorreu un incidente na porta do teatro. Presentárase un barbas que pretendía entrar sen a correspondente invitación, coa desculpa de que el era o poeta homenaxeado. Mais os porteiros, cumprindo o estrito protocolo, entendían que non era esa razón dabondo para o presunto desaparecido ocupar unha cadeira.



Beiras non terá ese problema, esperemos, cando se presente mañá, no auditorio de Compostela, a unha ben choída homenaxe, na que se presentará o libro de ensaios Á beira de Beiras (Editorial Galaxia), unha reflexión poliédrica sobre Galicia coa participación de 35 autores, que tecen as súas pescudas a partir daquela lanzadeira de tear que foi O atraso económico de Galicia, a piques de cumprir o 40º aniversario. Malia o título, O atraso foi unha revolución. Contribuíu a unha revolución da ollada, alén da economía. Nas clases de alfabetización de adultos, a clave é aprender a escribir e ler o propio nome. A partir de aí, en feliz expresión oída en Moaña á mestra Elisa, a xente "rompe a ler". Pois O atraso foi un deses libros estrelampos en que a xente "rompe a ver". Galicia estaba no atraso, mais non era pobre. Vivía unha malversación histórica.


Beiras podía ficar aí, como un campión da Estrutura Económica. Admirado polos seus mestres, xente moi ilustre, construíuse con el a figura dun príncipe dos contos infantís. Chamábano así, era "o noso principiño". Un día bicaría a bela terra e Galicia espertaría. Naquel tempo de emigración, a mocidade marchaba, mais nos herbais galegos aclimatábanse as vacas frisonas, as suízas, as canadenses. Velaí o absurdo paradoxo. Estraño cosmopolitismo que exportaba xente e importaba vacas. Por que Galicia non podía ser Frisia? Por que non ter algo do benestar dos cantóns que liberaron osirmandiños de Guillermo Tell? E así. Había unha Europa vitamínica, alimentada, instruída, liberal (no mellor sentido da palabra, é dicir, sexual). O socialismo nórdico, por exemplo, era o máis próximo a un paraíso posíbel. E Beiras era o noso príncipe socialista! Un príncipe que pisaba a terra, que era quen de pasar da lama da corredoira á partitura de Sibelius, que explicaba a Keynes na facultade de Económicas ao tempo que traducía a Giradoux ou Camus.


Houbo un intre en Compostela, cando se cruzaron os vellos superviventes republicanos e galeguistas e a mocidade antifascista e vangardista, en que talvez se podía dicir, na súa escala, o que Aron dicía da Normale parisina: "Nunca me encontrei con tanta xente intelixente nun espazo tan pequeno".


Mais o príncipe bicou a terra e Galicia non espertou. Quero dicir, espertar espertou, mais foise con outros, mesmo con descoñecidos, e non con el. Iso é o que teñen os contos infantís, que son os máis terríbeis. Pensen en Capuchiño Vermello, en Brancaneves, enHansel e Gretel ou Os músicos de Bremen.


Mais a historia non rematou aí, coa frustración. O noso príncipiño podía subir ao estribo do poder e incorporarse ao que Cornelius Castoriadis chamou "oligarquías liberais", e só con dicir o abracadabra: "Amén e Okey!". Mais aforcou dunha póla de figueira o maletín atado da gravata. Beiras pasou ser un Odiseo, un náufrago. Coñeceu as bocas do inferno e as tempestades. E a viaxe que viviu foi mesmiño a de Ulises: o proceso laborioso da reconstrución da memoria. Recompoñer as cachizas das intermitencias persoais e as lembranzas colectivas, mesmo os anacos tabú, os recantos prohibidos. Cando volveu, case ninguén o recoñecía. O can, o porqueiro... E algo foi pasando polo país adiante. A voz era a mesma de antes, mais tiña algo novo: traía vento. E dicía o que René Char: "Berremos ao vento que nos leva que somos nós quen o levamos". Despois do 28 de xuño de 1936, cando se plebiscitou o Estatuto de Autonomía, o "proxecto común" co que Beiras anovou o BNG déronlle os mellores resultados electorais da historia ao nacionalismo democrático galego. Era maioría a mocidade, rural e urbana. Ano de 1997. Foi a segunda forza, con 18 deputados, e o 25% dos votos. A xeira tamén en que Camilo Nogueira levará como nunca se levou a voz de Galicia a Europa.


Ademais das curvas do galego, a linguaxe de Beiras tiña, ten, o acento da esquerda transformadora. Non necesitaba explicalo. Que é o que pasou? Que síndrome autodestrutiva puido levar a semellante declive? Imaxinan a Beiras no Congreso dos Deputados ou a Nogueira no Senado? Coido que a voz de Galicia tería un eco e un prestixio de honoris causa. Sería un agasallo para o parlamentarismo hispano. E imaxinan unha homenaxe a Beiras na que falasen Touriño, Ferrín, Guerreiro, Paco Rodríguez, Aymerich et álii? Non, non é posíbel. Por que? Porque se impuxo o estilo de causa perduta. Todos a cantar o Nabucco de Verdi: "Oh mia patria sì bella e perduta!".


Teño un amigo que mantén que todo se debe á teoría dos caranguexos. En que consiste? Vai alguén pola praia cun caldeiro cheo de caranguexos, algúns están a piques de, como din en Camariñas, "meterse fóra". Outro que pasa por alí dille: "Vanche fuxir os caranguexos!". E o mariscador responde: "Non hai problema, que son galegos, e tiran os uns dos outros para abaixo". Non creo nesta fatalidade. En xeral, non creo nas fatalidades. Son unha máscara das responsabilidades.


Eu crer creo que é tempo, como diría a mestra Elisa, de "romper a ver".


Será interesante para iso oír a Beiras, se é que consegue entrar na súa homenaxe, a versión da segunda parte da Odisea galega.


E os náufragos que volvan ese día do "paraíso inquieto" do Incio, de homenaxear a Lois Pereiro, aínda teremos oportunidade de incorporármonos na noite coruñesa á expedición cívico-bohemia organizada por In Nave Civitas, en honor do pintor e "náufrago encantado" Urbano Lugrís, quen foi quen de unir por camiño submarino Percalinópolys e Xouba City (A Coruña e Vigo, en terminoloxía lugrisiana). Un punto central da convocatoria é o Palco da Música, cun acto creativo de Acción Urbano consistente en pintar paraugas, e percorrer a cidade como unha profundidade habitada, a incendiar de cores a noite e a chuvia. E pórse de xeonllos diante do mar, ese que sempre recomeza.


Xa o dixo Avelino de Corón e pregoa Xurxo Souto: "Está subindo a marea, ¡ti non quedes varado en seco!".



quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Queremos saber de ti


Video promocional do Encontro Irmandinho subido a Vimeo

sábado, 26 de novembro de 2011

Entrevista com Ricardo García Zaldívar (ATTAC)



Ricardo García Zaldívar é o presidente de ATTAC no Estado Espanhol. Economista especializado em urbanismo, é professor na Universidade Carlos III. O mes passado foi entrevistado por Marcos Pérez Pena para Tempos Novos, umha conversa da que saírom um feixe de reflexiões inspiradoras que reproduço aqui embaixo. Um conselho: se gostas de contidos coma este, fai coma mim e subscreve-te a Tempos Novos, ou compra-o no kiosko. Meios de informaçom coma este, crítico, independente e em galego, som todo um luxo nos tempos que correm.

Pódese dicir que Attac ofrece a base teórica para a contestación ao sistema?

Nos noventa estabamos vivindo unha globalización feliz. Caera o Muro de Berlín, fronte ao capitalismo non había nada, o neoliberalismo arrasaba, pero non só entre a xente que defendía o sistema a cegas, senón tamén entre os que poderiamos chamar de esquerdas. Seguían as vellas gardas comunistas e trotskistas co seu discurso inalterable, pero cada vez chegaba menos a unha sociedade que non era receptiva. Nese momento aparece un reduto de análise crítica, fresca, dende as páxinas de Le Monde Diplomatique, pola acción dos seus directores, Cassen e Ramonet, e en 1998 xorde Attac. Conclúese que o problema son as finanzas, que os mercados están desbocados, por que non retomar a idea de James Tobin? Pero non só para mellorar o funcionamento do sistema, senón para mellorar a vida dos cidadáns. A resistencia nese momento baseábase na asistencia a contracumios, en Seattle, en Davos, pero Attac e outras sete organizacións lanzan a idea do Foro Social Mundial, cunha perspectiva internacionalista e aproveitando as novas tecnoloxías.

Pero nos últimos meses Attac comeza a ser máis coñecida en España, non?

En xaneiro deste ano temos unha primeira reunión con Democracia Real Xa. Xa antes tiveramos contactos con moitos colectivos, buscando converxencia: hai tres anos Attac intentara xuntar colectivos, sindicatos alternativos e ONG combativas, nunha cousa chamada Activos contra a crise; o ano pasado impulsamos as Mesas de Converxencia. Pero estas iniciativas non tiñan a frescura que despois tivo a xente de DRX, que vén falar connosco porque din que o noso traballo é unha referencia para eles. Despois do 15M a xente de Attac participa activamente nas asembleas. Moita xente non entende que é Attac, nin entende que nós non somos unha plataforma partidaria. A xente de Attac pode estar en Equo, en Izquierda Anticapitalista, en IU, no Bloque… Attac é un movemento para a transformación social, non somos nin unha ONG asistencial nin un grupo de amigos.

Que cambia no 15M? Por que se produce agora esta contestación? Parece como se no interior da xente rachase esa idea tan paralizadora, a de que non se podía facer nada, de que non había alternativa…

Esa é unha análise micro: Chega un momento no que a xente está tan indignada que xa non pode quedar na casa vendo a televisión ou lendo El Jueves. Efectivamente, a nivel micro algo cambiou e a xente sae á rúa. Pero a nivel macro estamos tan mal que o poder nin sequera necesita usar a violencia, abóndalle con controlar os medios de comunicación. O gran problema de moita xente é que chegou a un límite máximo de endebedamento para seguir levando unha vida que lle meteron na cabeza que debe levar, a que supostamente lle dá a felicidade.

A clave segue sendo como organizar o sistema económico e financeiro mundial e poñelo baixo supervisión democrática? Como facelo? A taxa Tobin ten cada vez máis apoios…

A nosa análise sobre a taxa Tobin era a correcta e de feito cremos que se vai acabar aplicando, sexa no 2012, sexa no 2014. Agora traballamos máis con outra bandeira: a loita contra os paraísos fiscais, que é aínda máis importante. Estamos convencendo á xente de DRX e do 15M para que a mobilización do 15 de outubro, que vai ter unha grande importancia a nivel mundial, se centre na eliminación dos paraísos fiscais. Unhas semanas despois reúnese o G20 e a presión vai ser moi importante. Xa se debateu no cumio do G20 en 2008, cando os países ricos estaban realmente asustados, pero despois pasou o que pasou: a banca pasou de estar aos pés dos cabalos a ter un enorme poderío de novo, poñendo os estados contra as cordas co tema da débeda soberana. Mentres sigan existindo paraísos fiscais non hai nada que facer. España perde anualmente 40 mil euros por fraude fiscal.

Como valora Attac a forma en que Europa, as súas institucións políticas e económicas, está enfrontando a crise? Está quebrada politicamente? Haberá eurobonos?

Vendéronnos unha Europa monetaria. Había moito interese por ter unha moeda común, pero unha moeda común require unha política fiscal común e un banco central público que defenda esa moeda. Pero aquí concibiuse un banco central que non ten as funcións centrais que debe ter un banco central, este o único que fai é vixiar a inflación. O banco central norteamericano vixía o funcionamento da economía, impúlsaa cando se estanca, de xeito que non se resinta a creación de emprego. A diferenza entre Estados Unidos e Europa é que eles practican políticas de impulso e nós non facemos nada. Mentres non haxa unha política fiscal harmonizada, non se pode facer nada. Os eurobonos son só un parche, pero hai que apoialos. É unha boa medida, pero é insuficiente.

Que implicaría saír do euro?

O tema non é saír do euro, non creo que esa sexa a solución. Se saímos do euro, volvemos ter a máquina de facer pesetas e podemos exportar en mellores condicións, pero tamén os outros países exportarán máis barato, polo que o efecto se dilúe. A cuestión é se Europa funciona como unidade, de se o traballador alemán e o traballador grego actúan na mesma dirección ou só se preocupan polos seus intereses nacionais. E se Europa como conxunto asume os problemas dunha das súas partes, de se a elevada débeda e o elevado risco gregos se compensan coas escasas débedas e riscos alemáns, como pasa en Estados Unidos coa débeda californiana. Estar no euro é unha cuestión política, non é unha decisión economicista, depende de se os cidadáns se senten europeos e cren que Europa é un espazo no que se poden resolver problemas. O que sucede é que a Europa que temos non funciona, o problema non é Europa, é o sistema, a estrutura de Bruxelas. A solución pasa por máis Europa social.

Como xerar espazos de converxencia na esquerda para levar a cabo un programa transformador e de defensa do público?

Estas cousas non se fan dun día para outro. Poñámonos a traballar xa para dentro de catro anos, poñámonos a traballar en converxencia, coa base do 15M ou do que veña, pero coa idea instalada na xente de que as cousas poden cambiar, que a xente teña actividade política, e despois xa se constrúe unha alternativa política. Está claro que ese é o camiño, que hai que converxer. Nestes momentos o modelo alemán, cun Die Linke e uns verdes moi fortes, é irrepetible en España, pero hai que traballar para iso. Nese proceso de converxencia Attac non vai participar como organización, senón que imos seguir co que estamos facendo: sensibilizar, educación popular, detectar os temas que son importantes e nos que pensamos que a xente e as organizacións necesitan afondar.

Que papel deben xogar os sindicatos neste proceso?

Nos grandes sindicatos -porque despois están os alternativos (CGT, CNT) e os nacionalistas- hai unhas bases politizadas que sen elas non se vai poder conseguir transformación social ningunha. Esas bases son un poderío co que hai que contar. Despois están as cúpulas, que están cada vez máis afastadas da base. Creo que o 15M se trabuca cando di que cos sindicatos non quere participar en nada. Aí hai un traballo que facer e vaise facer.

E como vai actuar o PSOE despois da previsible derrota do 20N?

O revés vai ser moi forte e os reveses fan cambiar os partidos. Hai que ver como vai ser o reparto de forzas interno no PSOE, pero é evidente que cando apareza un tipo do PSOE nunha mesa hai moita xente que vai dicir que co PSOE non vai nin á volta da esquina. Zapatero cometeu erros? Ou é que o seu pensamento neoliberal lle impide enfocar as cousas doutra maneira. Creo que a cuestión non vai ser chegar a compromisos fortes senón a accións concretas, por exemplo nas mobilizacións que vai haber en defensa dos servizos públicos. Vai depender do sectarismo e das táboas políticas das persoas que vaian estar nunha beira e na outra.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Jon Idigoras, 16 anos há



Intervençom do finado Jon Idigoras (1936-2005) no Congresso espanhol. Era 1995 e o ciclo de governos pesoístas de Felipe González achegava-se ao seu final entre escándalos de corrupçom e guerra suja. Nesse contexto é no que se insire este discurso de um referente histórico da esquerda abertzale, trabalhador do metal, fundador de HB e do sindicato LAB. Uma persoa que foi encarcerada tanto no franquismo como na monarquia borbónica polas suas ideias políticas; e que sobreviveu ao atentado no que a ultradireita espanhola assassinou a Josu Muguruza e feriu a Inaki Esnaola, deputados de HB. Desse atentado cumprirám-se 22 anos o próximo 20-N, o dia da jornada eleitoral. Mais info no Gara.

domingo, 30 de outubro de 2011

Islândia, o caminho nom tomado

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Artigo de Paul Krugman para o New York Times.


Os mercados financeiros estám a celebrar o acordo que emergiu de Bruxelas no início da manhã da última quinta-feira [27 de Outubro]. Realmente, tendo em conta o que poderia ter acontecido – um amargo fracasso para concordar em nada – que os líderes europeus tenham concordado em algo, por mais vagos que sejam os detalhes e por mais deficiente que o acordo poda resultar, é um avanço positivo.


Mas vale a pena examinar o quadro mais amplo, ou seja, o fracasso retumbante de umha doutrina econômica – umha doutrina que provocou danos enormes tanto à Europa como aos Estados Unidos.


A doutrina à que me refiro consiste na afirmaçom de que, após umha crise financeira, os bancos precisam ser resgatados, mas é a povoaçom em geral a que tem que pagar o preço. Assi, a crise provocada pola desregulaçom transforma-se num motivo para que haja um deslocamento ainda maior para a direita; um período de desemprego massivo, em vez de estimular a adoçom de medidas governamentais para criar empregos, transforma-se numha era de austeridade, na qual os gastos governamentais e os programas sociais som recortados drasticamente.



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Essa doutrina foi defendida com alegações de que nom havia outra alternativa – que tanto os resgates financeiros como os cortes de gastos eram necessários para satisfazer os mercados financeiros – e com a afirmaçom de que a austeridade fiscal na verdade criaria empregos. A ideia era que os cortes de gastos fariam que os consumidores e os empresários se sentissem mais confiados. E essa confiança supostamente estimularia gastos privados, o que compensaria de sobra os efeitos depressivos dos cortes governamentais.


Alguns economistas nom estavam convencidos. Um escéptico afirmava causticamente que as declarações sobre os efeitos expansivos da austeridade eram como acreditar na “fada da confiança”. O.K., vale, esse crítico era eu.


Mas, apesar disso, essa doutrina tem sido extremamente influente. A austeridade expansiva, em particular, tem sido defendida tanto polos republicanos do congresso dos Estados Unidos quanto polo Banco Central Europeu, que no ano passado rogou aos governos europeus – e nom só àqueles que enfrentavam problemas fiscais – que implementassem uma “consolidaçom fiscal”.


E, no ano passado, quando David Cameron chegou a primeiro-ministro do Reino Unido, instituiu imediatamente um programa de cortes de gastos, acreditando que isso na verdade estimularia a economia – uma decisom que foi recebida com elogios afetuosos por vários especialistas dos Estados Unidos.


Agora, porém, os resultados som visíveis, e o quadro nom é nada bonito. A Grécia foi empurrada pelas suas medidas de austeridade para um buraco econômico cada vez mais profundo – e esse buraco, e nom a falta de esforços por parte do governo grego, foi o motivo polo qual um relatório secreto enviado a líderes europeus concluiu na semana passada que o programa atualmente aplicado na Grécia é inviável. A economia britânica estancou-se polo impacto da austeridade, e a confiança de empresários e consumidores afundiu-se em lugar de disparar-se.


Talvez o feito mais revelador seja aquilo que atualmente é apresentando como umha história de êxito. Alguns meses atrás, vários analistas passaram a elogiar as façanhas da Letônia, que, após uma recessom terrível, conseguiu, nom obstante, reduzir o seu déficit orçamentário e convencer os mercados de que o país contava com bons fundamentos fiscais. O caso da Letônia foi, de feito, impressionante, mas o custo foi um índice de desemprego de 16% e umha economia que, ainda que esteja finalmente crescendo, ainda é um 18% menor do que era antes da crise.


Por isso, resgatar os bancos mentres se castiga aos trabalhadores nom constitui na verdade umha receita para prosperidade. Mas havia algumha alternativa? Bem, é por isso que eu estou na Islândia, participando numha conferência sobre o país que fixo algo diferente.


Aqueles que tenhem lido notícias sobre a crise financeira, ou assistido a filmes como o excelente “Inside Job”, sabem que a Islândia deveria ser considerada a suprema história de desastre econômico: os seus banqueiros descontrolados sobrecarregaram o país com dívidas enormes e aparentemente deixaram a naçom numha situaçom irremediável.


Mas algo curioso aconteceu no caminho ao apocalipse financeiro: o próprio desespero da Islândia fixo que um comportamento convencional se tornasse impossível, o que lhe deu ao país liberdade para romper com as regras. Quando todo o mundo resgatou os bancos e obrigou à cidadania a pagar o preço, a Islândia deixou os bancos quebrarem e, de feito, ampliou a sua rede de segurança social. Quando todos os demais estavam obsessionados com acalmar os investidores internacionais, a Islândia impuxo controis temporários aos movimentos de capital a fim de obter espaço de manobra.


E como lhe está indo ao país? A Islândia nom evitou um grande dano econômico nem um descenso significativo do nível de vida. Mas conseguiu limitar tanto o aumento do desemprego como o sofrimento da parcela mais vulnerável da povoaçom; a rede de segurança social sobreviveu intacta, assi como a decência básica da sua sociedade. “As cousas poderiam ter sido bem piores” pode nom ser o mais animador dos slogans, mas quando todo mundo esperava um desastre total, a frase equivale a um triunfo de política econômica.


E hai nisso umha liçom para todos nós: o sofrimento polo que tantos dos nossos cidadãos estám a passar é desnecessário. Se esta época se caracteriza por um sofrimento incrível e um endurecimento da nossa sociedade, foi por eleiçom. Nom tinha, nem tem, por que ser assi.

sábado, 22 de outubro de 2011

Dan Hind: o que é o dinheiro?



(Artigo de Dan Hind em Al Jazeera, traduçom própria)

Os protestos contra as instituições financeiras mundiais estám a crescer, mas sabe a maioria das pessoas sequer de onde vem o dinheiro?

Passamos muito tempo pensando no dinheiro, de uma forma ou de outra. Pensamos em como consegui-lo, como mantê-lo seguro e como gastá-lo. Quando nom estamos dormindo, hai bastantes probabilidades de que estejamos prestando atençom ao dinheiro. Mas enquanto o dinheiro nunca está longe dos nossos pensamentos, hai algo curioso sobre a nossa relaçom com el. Apesar de todo o que o usamos ao longo do dia, a maioria de nós nom sabe o que é.

Quero dizer, sabemos o que pode fazer. Sabemos quanto temos, mais ou menos. Sabemos o que custam as cousas e por isso temos alguma idéia do que podemos gastar num momento dado. Quando começamos a pensar sobre o futuro, quanto tempo viviremos e quanto dinheiro imos precisar, tendemos a querer pensar noutra cousa. Mas o dinheiro em si escapa aos nossos cálculos. Maiormente nom pensamos em perguntar de onde vem, nem o que é em si mesmo. As vantages de ter dinheiro e as consequências de nom o ter som tam grandes que raramente paramos a pensar no dinheiro como tal.

Hoje é um dia tam bom como qualquer outro para explicar de onde vem o dinheiro e porquê importa. Na quinta-feira, o Banco da Inglaterra anunciou mais 75 bilhões de libras de "quantitative easing". Se você nom sabe o que isso significa ou vagamente pensa que tem algo que ver com "imprimir dinheiro", provavelmente é porque você nom sabe o que é o dinheiro. Todo será revelado no que segue. OK. Está você preparado para saber de onde vem o dinheiro, para conhecer a verdade zelosamente gardada desde o alvorecer do tempo registrado?

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O dinheiro deve a sua existência aos bancos

Nom hai nada complicado acontecendo nos bastidores. O grande segredo é que nom hai realmente muito segredo. Ainda assi, a verdade sobre o dinheiro elude-nos a maioria do tempo.

O economista e ironista JK Galbraith escreveu certa vez que "o processo polo qual os bancos criam dinheiro é tam simple que repele à mente. Quando algo tam importante está implicado, um profundo mistério parece mais decente". Quando se nos apresenta a verdade sem adornos, despojada de toda parvada tecnocrata, quase nom a podemos acreditar. Parece absurdo que o dinheiro deva ter origes tam humildes, como se estivesse debaixo da sua dignidade começar a sua vida quando um banqueiro pulsa uma tecla.

A verdade sobre a criaçom de moeda é um pouco como o fim de O Mago de Oz, quando se constata que nom hai um mago que todo o sabe, apenas um velho atrás de uma cortina, fazendo as cousas sobre a marcha. É mui parecido a O Mago de Oz, de feito. O livro de Frank Baum é uma parábola sobre a reforma monetária, escrito no auge da luita nos Estados Unidos entre os arquitetos das finanças corporativas e aqueles que queriam que a oferta de dinheiro fosse controlada polo público. A adaptaçom cinematográfica de 1939 trouxo a história a um novo e vasto público, mas nalgum momento do processo perdeu-se o argumento original do autor. Eu sei, que tal cousa poderia acontecer em Hollywood, de entre todos os lugares possíveis.

Assi que, os bancos criam dinheiro por meio do ato de emprestá-lo. Nom tenhem que limitar-se a emprestar o dinheiro que tenhem em depósito. Na verdade, eles podem acabar emprestando múltiplos enormes do dinheiro que possuem na reserva. Quando autorizam um empréstimo ou estendem o crédito na forma de um crédito a descoberto, o dinheiro é conjurado da nada. Os bancos, em seguida, recebem juros sobre o empréstimo. O interesse é a forma em que os bancos fam os seus lucros, assi que querem emprestar tanto como seja possível polo maior tempo possível, mesmo se o empréstimo é insustentável no longo prazo. Isto é ao que Chuck Prince queria chegar quando dixo em julho de 2007 que "quando a música pare, em termos de liquidez, as cousas serám complicadas. Mas mentres a música esteja soando, hai que sair a dançar. Nós ainda estamos dançando".

Como apontam os autores de “De onde vem o dinheiro?”, uma guia prática sobre a criaçom de dinheiro publicada pola New Economics Foundation, os bancos preferem emprestar dinheiro contra garantias existentes. Como resultado, tenhem um historial bastante ruim quando se trata de apoiar start-ups e pequenas e médias empresas que queiram expandir ou inovar. Mas som brilhantes em inflar burbulhas em imóveis comerciais e residenciais. Talvez conscientes de que o dinheiro que emprestam tem uma qualidade imaterial, os banqueiros anseiam a solidez dos tijolos e a argamassa.

Conversas inteligentes, nom tumultos

Dixem anteriormente que o Banco da Inglaterra anunciou uma nova rolda de flexibilizaçom quantitativa (quantitative easing). A “quantitative easing” (QE) ocorre quando os bancos centrais criam dinheiro novo e usam-no para comprar ativos com juros. Até agora a QE na Grande Bretanha tem sido usada para comprar títulos do governo e corporativos. Isto tem mantido os preços dos ativos e aliviado a pressom sobre os outros bancos. Os bancos cambiam ativos de valor incerto por dinheiro respaldado por crédito do governo.

Se você acha que é um pouco estranho que uma instituiçom nacional, o Banco da Inglaterra, compre títulos emitidos por outra, o Tesouro, está no certo, é-o. O governo nom quer que você pense muito nisso, por se começamos a pensar que eles, como o mago maravilhoso, estám fazendo as cousas sobre a marcha e esperando que saiam bem.

Ninguém está a afirmar que as finanças e a economia nom sejam complicadas. Mas isso nom nos deve cegar ao feito de que ambas descansam numa simplicidade cardeal - o poder de criaçom de dinheiro das instituições bancárias. Os que se lucram com esta simplicidade subjacente nunca tivérom grandes desejos de ilustrar ao público. O seu control sobre a oferta de dinheiro nunca foi objecto de debate democrático. É duvidoso que tal control sobrevivesse a qualquer debate desse tipo. Mentres os manifestantes se reúnem nos distritos financeiros do mundo, espero que sejam capazes de sacar a reforma do sistema bancário das sombras.

A orde estabelecida pode lidar com motins. Nom pode lidar com uma conversa razoável sobre o papel dos bancos na má distribuiçom do capital e na criaçom de crises.

O chanceler britânico de Finanças, George Osborne, já indicou que parte do dinheiro que fijo surgir o Banco da Inglaterra deveria ser encaminhado para as pequenas e médias empresas, numa admissom tácita de que o setor financeiro na sua forma atual nom pode apoiar de forma adequada o setor produtivo. O control privado e irresponsável da oferta de moeda - o arquétipo de privilégio inconstitucional – falhou, e esta falha está a traer miséria para milhões de persoas ao redor do mundo.

Na primavera deste ano no norte da África começou uma discussom sobre a sociedade e a economia que queremos. Agora Europa e América do Norte estám a unir-se a ela. Os problemas que enfrentamos som complicados, é verdade, mas nom tanto como querem fazer ver alguns. Começaremos a ver como resolvê-los quando tenhamos uma compreensom clara dos fundamentos de organizaçom social, incluindo as origes e a natureza do dinheiro.

É um entendimento que os atualmente poderosos prefeririam que nom tivéssemos. Afinal, como dixo outro grande ironista americano, Walter Karp, "o poder usurpado só é seguro mentres permaneça despercebido". Por muito tempo, os bancos tenhem moldado as leis da troca econômica em privado. Mesmo em meio de uma crise da dívida, o seu privilégio tem escapado polo de agora ao nosso entendimento. Chegou o momento de que se torne o objeto da nossa atençom constante e paciente.


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Entrevista a Camilo Nogueira



Extensa conversa com o Camilo emitida o outro dia (27/09) no programa "Via V". Apresentado por Fernanda Tabarés, inclui debate com X.L. Barreiro, Carlos Príncipe e Carlos Punzón.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Recuperaçom da soberania popular, defensa da democracia




Passado já Agosto, confio em que passe tamém a preguiça insuperável que me impedia publicar no blogue... ;-) Vou ir aquecendo com este texto tirado da web do Encontro Irmandinho, onde se propom ao BNG "um programa rupturista para a recuperaçom da soberania popular e em defensa da democracia". Deixo fora da postagem as linhas do comunicado irmandinho que fam referência ao processo interno de elaboraçom de candidaturas já que nom tenhem moita relaçom com o resto do texto, o qual enumera as linhas gerais de um programa socialista, autogestionário, soberanista...

Devemos ir às eleições nas melhores condições para oferecer à cidadania umas candidaturas e programa que ilusionem e convençam de que a ditadura neoliberal nom é invencível, que nom só imos defender senom tamém fazer, e que a batalha iniludível e imediata de qualquer galego ou galega democrata é evidente que é para a recuperaçom da soberania popular no Estado Espanhol e da soberania nacional no nosso País.

É preciso dizer claramente á cidadania que nom queda outra que exigir um processo constituinte autenticamente democrático para nós e as outras nações do Estado porque desta a "creba" já a figérom PP e PSOE ao constitucionalizar a ditadura neoliberal.

Valem todas as linhas básicas propostas para o programa eleitoral, às que propomos engadir como explicaçom o que já dixo o BNG hai perto de 20 anos sobre o Tratado de Maastricht, os acordos da IX Assembleia Nacional respeito do neoliberalismo e a mundializaçom, a soberania alimentar por suposto.

Devemos falar com claridade e contundência do modelo de estado dende unha posiçom republicana e soberanista galega; estado social de direito e economia social de mercado; democracia participativa e control democrático do poder; da sustentabilidade socio-ambiental; a Europa social dos povos e tamém da constitucionalizaçom da neutralidade ativa do Estado.

Hai que falar, na opiniom do Encontro, de 'CREBA DEMOCRÁTICA' e propor constitucionalizar com garantias efetivas os direitos da cidadania e o caráter público de determinados bens e serviços.

Hai que falar, devidamente matizado e explicado, mas com contundência, de:

1. Democratizaçom da empresa: participaçom dos trabalhadores na direçom e gestom.

2. Auditoria da dívida pública e recuperaçom do aportado para salvar aos banqueiros.

3. Reversom ao domínio e gestom públicos das concessões feitas ao sector privado de infraestruturas, recursos, bens e serviços de interesse público e /ou comum.

4. Reconversom em públicas de corporações e empresas privatizadas.

5. Regulaçom, imposiçom/taxaçom e control estritos dos mercados, intermediários e fluxos financeiros e movimentos de capitais, com especial rigor no tocante ás operações especulativas.

6. Reconstituçom do sector financeiro público e reversom das caixas de aforro à sua natureza originária de entidades nom capitalistas privadas.

7. Derrogaçom das sucessivas 'reformas' laborais, e estabelecimento e afortalamento, tanto na funçom pública quanto no sector privado, dos marcos normativos reguladores do mercado laboral e dos regimes salariais a prol dos direitos e garantias econômicas e sociais na igualdade de gêneros e idades, a estabilidade e seguridade no emprego, a reduçom da jornada laboral, a cobertura do paro e das jubilações, e a participaçom equitativa da força de trabalho no valor engadido e incrementos da produtividade.

8. Soberania alimentar e energética.

9. Políticas de defensa do campesinhado, revitalizaçom das explotações agrárias nom capitalistas, recuperaçom e desenvolvimento sustentável da economia e os ecossistemas agrários, ordenaçom do território e fixaçom de povoaçom no meio rural a prol do seu desenvolvimento integral e do equilíbrio demográfico, setorial e territorial.

10. Políticas análogas às do ponto anterior para o mundo marinheiro e a beira-mar.

11. Políticas de promoçom e equidade econômica, fiscal e social para as formas de trabalho autônomo e pequenas empresas, com finca-pé nas formas cooperativas e de economia social.

12. Ordenaçom do sector comercial a prol da revitalizaçom racionalizada do pequeno comércio fronte ao grande capital comercial e com a necessária reforma do marco normativo dos arrendamentos e alugueres de locais comerciais.

Bandeiras que o BNG ergueu hai anos e hoje som mais pertinentes que nunca.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Laura Bugalho: os de fora vão-nos devorar




Reproduço a seguir um magnífico artigo de Laura Bugalho; adoito coincidir com as suas visões, mas neste caso a concordância é total. Gosto do fondo e da forma do que está a dizer, e não me resisto a salientar em negrito algumas frases que me parecem particularmente inspiradas. Por suposto, gostei especialmente do derradeiro parágrafo, no que fala do Encontro Aberto e que por certo entronca com a anterior postagem publicada neste blogue. Como militante / simpatizante / observador de movimentos da esquerda independentista / soberanista / chama-lhe como queiras, sinto-me plenamente identificado com estes anseios.

(Laura Bugalho assistiu à mani de Causa Galiza o passado 25 de Julho e pronunciou um discurso que se pode ler aqui.)


"Los hermanos sean unidos, esa es la ley primera, porque si no, nos devoran los de afuera", Martín Fierro, de Jose Hernandez




Que os irmãos e as irmãos sejam unidas, essa é a lei primeira, poque se não devoram-nos os de fora, esta frase que ressoa em todo o cone sul de América, no rio da Prata, entrana uma grande afirmação, cheia de sabiduría popular, posta na boca de um Gaucho, de um Velho que não deixa pedra sobre pedra mentando os acertos e falhas que de costume reiteramos nas nossas vidas individuais e coletivas.

Mas uma vez temos o dever de somar-nos, de olhar que os de afora são quem está a exercer aquelas formas de violência, desde as mais subtis até as mais palpáveis. São os que estão a despedaçar o nosso ethos, a nossa língua, a nossa fala. São os que estão na venda silenciosa das nossas conquistas sociais, os que promulgam as leis e decretos que nos vulneram e violentan, e também aqueles/as que aplaudem e/ou consintem o seu fazer, aqueles que olham o actual plano constitucional como o único possível, aqueles que nos denunciam, que nos julgam , que desejam ver-nos nas cadeias ou silenciar-nos com as suas gadanhas de medo.

E nós, longe de nos amedonhar, arremuinhámos-nos por volta das nossas vontades e entidades, sem consciência de que a nossa divisão é estéril, e não só não produz mas que sombras de quem somos se não que somos as sombras das luzes que prendem os que nos violentam.

Às vezes desejaria ter voz unísona e clara para reunir antes de que nos devorem. Os tempos não são para perder-se em questões semánticas ou personalismos. Nós somos a terra, cada uma e cada um de nós levamos semente, em terra queimada, terra erma e seródia nada medra.

Escrevo isto diante do dia da nossa matria Pátria, da nossa Terra que aguarda as mil Primaveras mais. Escrevo com raiva, com lágrimas nos olhos não para anceio de esmola, se não para gestos de honra, de irmandade e de luta.

A realidade na que estamos tem que ter respostas sinceras e cordiais. Mete medo que historiaram de nós de aqui em tantos anos. Faltam poucos dias, acumular forças.

Estes dias atrás asisti ao Encontro Aberto, alá estavam as Companheiras e Companheiros no Soberanismo. Alá departiam desde a Independência e a Socialdemocracia, e entendim que seriam parte da terra liberta, alá estavam autónomas e autónomos, donas e donos de empresas, e entendin que nós, que somos do berro aceso "independentzia da socialismoa", "independentzia eta komunismoa", somos parte da luta soberanista.

A realidade na que estamos, e de seguir assim os de fora vão-nos devorar.


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Encontro Aberto



Estando a prol dun necesario novo referente político para facer fronte ás necesidade socio-económico-políticas do País, ante a situación de crise no seo do nacionalismo galego organizado e a súa contorna social co afastamento do BNG dos sectores que tradicionalmente o apoiaron, e as derivadas do seu fracaso electoral e os procesos de interlocución aberta e sen compromiso encetados, o EI quere escoitar, pulsar a opinión, debater, tomar nota, informar e informarse con todas aquelas persoas -militantes ou non do BNG e das súas correntes- cidadáns preocupados e preocupadas polo que está acontecendo. Para iso estamos a preparar un Encontro Aberto para datas próximas, arredor do día 18, que será debidamente publicitado [ATUALIZAÇOM: será finalmente este sábado, dia 18 de Junho, às 16:30 horas, no auditório da Faculdade de Jornalismo de Santiago de Compostela]. O Encontro Aberto non terá máis compromiso que falar e escoitar.

Mais info na web do Encontro Irmandinho
Para participar no encontro aberto, inscrever-se aqui

domingo, 5 de junho de 2011

De Athenry a Escairom, 100 anos despois (adicado às mulheres do Savinhao)



"No ano '46 atendeu-se a chamada..."

A cançom evoca uma imagem poderosa: um cento de mulheres concentradas diante da casa do Concelho, impedindo com a sua resistência pacífica a saída dum camiom cargado de milho e centeo. Cereal colheitado polas labregas e labregos da bisbarra, necessário para evitar a fame das famílias, e que ia ser levado para fora, destinado ao estraperlo e o lucro duns poucos. A história ganha força ao saber que estamos da Galiza de 1946, em plena posguerra, no mais negro da ditadura franquista, quando as represálias por qualquer ato de rebeldia podiam ser fatais. Trata-se dum feito real, que tivo lugar em 1946 no Savinhao (terra de Lemos), e que está conectado por via musical com o acontecido em Irlanda um século antes. Explico-me:
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“The fields of Athenry” é uma fermosa cançom de aparência tradicional, escrita por Pete St. John na década de 1970 (pode-se escuitar aqui). Está ambientada nos anos da Grande Fame (1845-49), durante os quais um milhom de irlandeses morrérom de desnutriçom e outros tantos tivérom que emigrar para evitar correr a mesma sorte. Conta a história dum vizinho de Athenry (condado de Galway) que é detido e deportado a Austrália; o seu delito, roubar milho requisado pola administraçom británica para alimentar aos seus filhos. Esse tema foi adotado como hino polos seguidores do Celtic de Glasgow e da seleiçom irlandesa, e tem sido interpretado por muitos músicos. Entre eles polos Dropkick Murphys, que incluíram uma enérgica versom no seu disco Blackout de 2003 (uma autêntica obra mestra, quem ainda nom o tenha escoitado nom sei a que espera).
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Na versom dos Murphys baseárom-se os Falperrys (sucessores dos lembrados Motor Perkins) à hora de fazer a sua própria adaptaçom, que pom banda sonora a este post. Se bem musicalmente é calcada à dos Murphys, a versom dos Falperrys tem o atrativo de que a letra é algo mais que uma simple traduçom: mantendo o espírito da original, traslada a acçom 100 anos no tempo e alguns milheiros de quilômetros no espaço. Situa-se assi na Galiza da posguerra, concretamente no ano 1946 e no concelho do Savinhao. Ali, na pequena vila de Escairom, capital do concelho, tivo lugar o episódio do que estamos a falar, contado por Maria Jesús Souto Blanco no seu artigo “Una revuelta de hambre en el primer franquismo: O Saviñao”, disponível online. Compre ler esse texto para aprender os detalhes deste gesto de rebeliom, que mália nom rematar em êxito constitui um exemplo de dignidade coletiva. Um exemplo hoje quase esquecido, devido à desmemória histórica na que vivimos, que a miúde nos fai pensar que feitos como este nunca tivérom lugar... mas que provavelmente fôrom mais freqüentes do que imaginamos.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

In Memoriam Gil Scott-Heron: The Revolution Will Not Be Televised



O passado 27 de Maio foi-se-nos sem avisar Gil Scott-Heron, o home que puxo banda sonora aos tempos setenteiros da nova esquerda, e que vinha sendo dende aquela um referente político e musical. A sua cançom mais conhecida é a absolutamente icónica "The revolution will not be televised", que aparecia já no seu disco de debut. Era 1970 e, como quem nom quer a cousa, os recitados de Scott-Heron sobre uma base funk iniciavam um novo estilo musical, o hip hop... uma década antes de que os teóricos pioneiros oficiais do género, Sugarhill Gang, gravassem "Rapper's Delight". Vaia dende aqui um saúdo ao poeta, cantautor, músico de jazz ou soul, padrinho do rap, e (last but not least) filho do primeiro negro em jogar no Celtic de Glasgow. Que a terra lhe seja leve!

The revolution will be no re-run brothers; the revolution will be live


sábado, 30 de abril de 2011

Proudhon: um anarquista e o seu programa eleitoral



Proudhon e os seus filhos, obra de Gustave Courbet (circa 1863)

Pierre-Joseph Proudhon foi sem dúvida um dos mais destacados filósofos políticos do s. XIX. Foi também um escritor prolífico e, mália ser maiormente autodidata, de grande talento. Entre a sua extensa obra contam-se “best-sellers” como “O que é a Propriedade? Pesquisa sobre o Princípio do Direito e do Governo” (1840), onde se acunha o famoso slogan “a propriedade é um roubo”. Também sua é a frase “A anarquia é ordem”, que deu lugar ao famoso símbolo Ⓐ, hoje em dia representativo de todo o anarquismo.

Porém, é difícil resumir ou etiquetar a sua ideologia. Na antologia do anarquismo “Nem deus nem amo”, Daniel Guérin afirma o seguinte: “Foi simultaneamente o pai do socialismo científico, da economia política socialista e da sociologia moderna, o pai do anarquismo, do mutualismo, do sindicalismo revolucionário, do federalismo e dessa forma particular de coletivismo que tem recuperado uma nova relevância hoje em dia como autogestom. (...) Por último, e por encima de todo, foi a primeira persoa em antecipar e denunciar profeticamente os perigos implícitos num socialismo autoritário, estatista, dogmático.”

Esta heterodoxia tem-lhe proporcionado poucas simpatias entre as diversas correntes estabelecidas na esquerda. Principiando, como nom, polos marxistas clássicos, que sempre o apelidárom de reacionário. Este desprezo vem já do próprio Marx, quem trás ler o livro de Proudhon “Sistemas de contradições econômicas ou filosofia da miséria” (1846) - onde se criticava o socialismo autoritário – publicou como réplica “Miséria da filosofia”. Mas também se critica a Proudhon desde outras ramas da esquerda revolucionária, incluindo o anarquismo. A sua disposiçom a participar em eleições, a sua defensa da via das reformas políticas, o seu republicanismo, convertem-no num alvo fácil (“pequeno-burguês!”).

A mim, persoalmente, esta heterodoxia de Proudhon (incluindo as suas contradições e os câmbios de opiniom que tivo ao longo da sua vida) resulta-me mui atrativa. Nom concordo com todas as suas idéias, mas a sua visom parece-me inspiradora, especialmente nestes tempos em que compre revisar tantas cousas.

As obras de Proudhon podem-se atopar facilmente em qualquer biblioteca ou, como nom, no internete. Um texto interessante, que ademais está disponível na nossa língua, é o “Manifesto eleitoral do povo”, publicado originalmente no Journal du Peuple entre o 8 e o 15 de Novembro de 1848. Pode-se baixar de aqui.

terça-feira, 19 de abril de 2011

The Corporation (A Corporação)


O fascismo deveria ser chamado propriamente corporativismo, porque é a fusão do Estado e o poder corporativo
Benito Mussolini

Sei que a cita é um pouco forçada e sacada de contexto, mas parece-me ajeitada para introduzir The Corporation (A Corporação), um excelente documentário sobre essas grandes potências de hoje em dia. Ganhadora dum feixe de prémios, inclui entrevistas a CEOs de grandes empresas, brokers, espias, e gente como Noam Chomsky, Naomi Klein ou Michael Moore... junto a todo um ultraliberal como Milton Friedman. E cara o remate fala da luita do povo boliviano contra as tentativas de privatizar a sua auga... algo do que deveríamos tomar nota na Galiza vista a lei de augas que pretende aprovar o Frijolito.

As ligações que ponho são, como de costume, às versões originais legendadas em português. Ainda que as traduções são bastante chungas, polo que talvez seja boa ideia buscar alguma versão noutro idioma (hai muitas disponíveis em internet). Eis a parte 1:

E a parte 2: