sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Contra o paro, cooperativismo e inovaçom (outra volta, Mondragon)




No mesmo dia no que a enquisa de povoaçom ativa anúncia que no Estado Espanhol hai 5,3 milhões de parados, o jornal El Pais fai-se eco dumha das excepções a este panorama: o município gipuskoano de Oñati, na comarca do Alto Deba. Aqui a taxa de paro é de apenas o 5.4%, nada menos que 17 pontos por baixo da média estatal. E a renda per cápita é de 44.000 €, mui por riba da do resto de Euskadi (27.000 €), apesar de que esta é já superior à de Espanha.

Os alicerces deste bem-estar atopamo-los na base da economia: o trabalho, e na forma em que está organizado. E é que dous terços das empresas da zona som cooperativas do grupo Mondragon, do que já temos falado neste blogue, ainda que só de passada. Neste grupo, peça chave do modelo econômico vasco (e considerado a maior cooperativa de trabalhadores do mundo, para além de ser o maior grupo empresarial vasco e o 7º do estado), a participaçom dos trabalhadores nom tem o carácter de excentricidade que tem no resto do Estado. Entre outras caraterísticas, os trabalhadores som sócios cooperativos, participam na gestom, e sigue-se o princípio de 1 sócio = 1 voto. Os despedimentos nom existem. E a relaçom entre a máxima e a mínima remuneraçom tem que ser menor que 6 (seica anda sobre 3.5).

Mondragon inclui cooperativas industriais, de crédito, de consumo, e mesmo educativas. Tem a sua própria universidade, Mondragon Unibertsitatea, que - a diferença do que é habitual nas universidades privadas espanholas - nom se limita a vender títulos aos filhos de ricos, senom que aposta decididamente polo I+D+i. Algo que lhes ajuda a terem uma das porcentages de titulados superiores mais altas do estado, e um tecido empresarial inovador e internacionalizado.

Para saber mais sobre o funcionamento da gestom cooperativa, recomendo duas ligações a webs brasileiras (aqui e aqui). Também é interessante ler esta entrada na Wikipedia, especialmente o ponto 4, onde se fala das limitações (que também as hai) do modelo cooperativo. Em conjunto, parece-me um excelente exemplo de como fazer caminho ao andar, que é a única maneira de avançar politicamente, na minha opiniom. Bem podiamos imitar nós, na Galiza, esta "via vasca ao socialismo" (autogestionário).

P.S. Um derradeiro apontamento: em Oñati os partidos espanhóis nom tenhem representaçom. O governo local é de Bildu, que tem maioria absoluta com 11 concelheiros sobre 17, e os 6 restantes som do PNV, o partido que tinha a alcaldia no periodo anterior.


Nenhum comentário: