quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Xoán Carlos Carreira - A agricultura invisível
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Ciclismo si, mas nom assi
terça-feira, 3 de julho de 2012
Carta de despedida de Ramom Muntxaraz
Castelhano de origem e psiquiatra de profissom, Ramom Muntxaraz chegou à Galiza em 1980 para trabalhar no hospital de Conjo. Ali afiliou-se à ING, começando umha militância no marxismo independentista que o levaria polo vieiro UPG-PCLN-FPG-APU-JUGA para rematar em Causa Galiza. Morreu em 2008, deixando esta fermosa carta de despedida.
[Intro de GalizaLivre]: Hoje cumprem-se quatro anos da morte de Ramom Muntxaraz, o histórico militante independentista chegado de terras espanholas que se tornou galego de naçom e de coraçom. Muntxa, médico psiquiatra comprometido e coerente, ativista incansável na luita política e sindical, solidário incansável com os combatentes presos de todas as épocas, deixou-nos há quatro anos depois de brigar com umha doença fatal. Tempo depois do seu enterro foi encontrada entre os seus papéis esta carta, endereçada ao povo galego, em que se despide da sua Terra e a sua gente, e que foi transmitida ao Galizalivre e a outros meios de comunicaçom populares. Aproveitamos a data do seu aniversário para rendir-lhe esta homenagem e para contribuirmos à difusom da mensagem com que o Muntxaraz nos quijo deixar.
O dia da minha morte quero que estas verbas cheguem aos vossos coraçons. Levo conmigo infinitamente muitas mais cousas vossas das que vos deixo. Vou-me desta vida com mágoa de nom poder sentir nunca a Saudade da Terra. Vou-me da Terra na que nom nascim pêro na que decidim morrer. Porque a Pátria nom é lugar no que nascemos senom a que eleximos para dar o melhor de nós mesmos até a morte. E eu elegim Galiza. Nom pola incomparável beleza da sua paisagem, nem por nengumha cousa material. Fiquei na Galiza e tomei à Galiza como a minha Pátria polas suas gentes, polo Povo. Polo que agora é também já de forma definitiva “o meu Povo !!. Voume de entre vós com a mágoa de nom vêr à Galiza como um Povo Independente. Pêro, vou-me desta vida esperançado porque estou convencido de que essa Utopia de Liberdade há de chegar e que esse dia todas as nossas luitas, e inclusso as nossas contradicçons, acumuladas durante séculos de geraçons, recuperaram o seu auténtico sentido histórico.
Como bem sabedes, adiquei grande parte da minha vida a tratar de compreender a loucura dos loucos. Pêro poucos sabem que o que sempre foi para mim mais difícil de entender é a cordura dos cordos. A cordura da obediência, da disciplina, da ordem, da auto-opressom, da assimilaçom à civilizaçom colonizadora e alienante.Esse é o problema que levo à sepultura sem resolver, pero que vos animo a continuar estudando. Quando saibamos porquê obedecemos e tememos à autoridade que nos oprime e porquê despreçamos aos irmaos que nos falam de liberdades; quando saibamos porquê os oprimidos odiamo-nos entre nós; quando saibamos porquê renegamos da nossa identidade como Povo e porquê nos alienamos na falsa identidade dos impérios que nos oprimem. Quando saibamos alomenos isto ninguém poderá já nunca jamais oprimirnos, explorar-nos nem colonizar-nos.
Pilara e Maruxa: fuchedes a minha Familia Galega. E formasteis a parte mais íntima e entranável da minha Grande Familia Irmandinha Galega. Vós sodes o melhor que tivem na minha vida íntima. Tí Pilara e tí Maruxa fuchedes as musas galegas da minha vida, que alentarom-me a seguir adiante com os meus Ideais Revolucionários. Lograsteis que eu me sentira como um Galego Comunista e Revolucionário e nom como um colonialista espanhol arrepentido no que tantas vezes temí converter-me. A tí Pilara nunca poderei agradecer-che o que me atura-ches, as esperas desesperadas, a paciência com as minhas elucubraçons e pedanterias. Quero que saibas que os teus longos silêncios forom para mim umha contínua referência do impresoante berro de insubmisso da Ialma Galega. E tí, Maruxinha, a minha Maruxinha, sempre fuches e serás para mim a esperança das novas Geraçons de Homens e Mulheres Galegos e Galegas, que algum dia erguerám a Bandeira da Liberdade do nosso Povo, no trunfo final de todos os Povos Oprimidos do Planeta.
Quero que o dia da minha morte nom seja um dia de mágoa nem de luto para ninguém. Pêro nom quero que seja este um dia como outro qualquera, e que no meu sepélio nom haja máis símbolos que os que representem à nossa Pátria Galega e os da Unidade na Luita da Classe Trabalhadora Galega e do Mundo. Quero que os meus restos mortais fiquem na Terra ou nos Mares da Galiza, por ser esta a única Terra à que amei e na que desejo estar para Sempre com todos Vós, com o Povo Galego.
Deixo-vos a todos e todas quanto tenho: os meus mais profundos sentementos e utopias, a minha solidariedade e internacionalismo comunista, a minha esperança de liberdade e a convicçom na vitória na Luita Final contra a opressom. Agurinha Povo Galego. Agurinha meus Irmaos Revolucionários Galegos e Galegas. Agurinha à minha Maruxa e à minha Pilara. Recebide Todos/as, a minha mão e infinitas Apertas Irmandinhas e Revolucionárias do vosso Irmao Moncho.
Viva Galiza Ceive e Comunista!
Viva a Luita de Libertaçom Nacional Galega e a de todos os Povos Oprimidos do Planeta !
Viva o Internacionalismo Proletário !
Viva a Unidade da Classe Trabalhadora Galega e de todas as Classes Oprimidas do Mundo.
Pátria e Terra !
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Adeus BNG! É tempo de construir

Já foi...
O dia seguinte à XIII Assembléia Nacional dei-me de baixa como militante do BNG. A paciência nunca foi a melhor das minhas virtudes, e já nom tinha vontade de seguir enleado em dialéticas internas, que nada aportam (nem “clarificam”) e que tam só servem para distrair a atençom da militância. Na dinâmica na que leva tempo imerso o BNG, o verdadeiramente importante (propor-lhe à cidadania galega uma alternativa ao horror neoliberal-espanholeiro dominante) adia-se continuamente ante o urgente (a necessidade fatigante e absorvente de marcar território internamente). O BNG já nom lhe oferece ao povo galego um projeto de país concreto, um plano de acçom com objetivos realizáveis a curto, meio e longo prazo. No seu lugar, propom reconcentrar-se num discurso de "mais nacionalismo", válido talvez para o consumo interno, mas que nada oferece aos segmentos da sociedade que ano trás ano se fôrom desencantando com o BNG. No percorrido desde os quase 400.000 votos que colheitava hai 15 anos à metade que tem agora foi-se perdendo a conexom com muitas gentes que viram algo diferente no BNG: uma força “com jeito”, uma esquerda audaz com os pés na terra, nom sectária, aberta aos segmentos mais dinâmicos e críticos da sociedade. Uma boa parte da cidadania progressista galega perdeu a confiança no BNG, entre outros motivos (nom todos endógenos, certo) porque este leva tempo empenhado em que assi seja. Velaí o desprezo cara as novas formas de descontento popular (de Galiza Nom se Vende ao 15-M), que pode ser considerado um sintoma ou uma causa, ao gosto do consumidor. Nom falo já de outras circunstâncias relacionadas com o deterioro da convivência interna, nom porque nom tenham importância nem muito menos, senom por nom botar mais lenha ao lume. Nom che estamos no momento de reviver rancores, por muito que seja uma atividade à que se adicam gostosos tantos internautas. Enfim, sei que as razões apontadas podem parecer um tanto etéreas, e que a situaçom é difícil de entender desde fora... poderia estender-me mais, mas a análise do passado nom é o mais importante agora. O fundamental resume-se em que o BNG é a dia de hoje uma ferramenta infrautilizada sem remédio à vista, e que portanto é preciso atuar fora del.
A que andamos:
Pois já estamos a pôr os alicerces dum novo projeto que procure uma saída a este enguedelho, e neste senso a assembléia do Encontro Irmandinho do passado 12 de Fevereiro representou um ilusionante ponto de inflexom. Foi-che o que se di um evento singular, onde se percebeu claramente como mudava o ambiente segundo passava o tempo. Ao chegar palpava-se uma incerteza generalizada, ninguém as tinha todas consigo. Mas fôrom sucedendo-se as intervenções, umas trinta, e vimos que todas (com uma única exceçom) iam na mesma direçom, deixar o BNG e principiar um projeto novo. O mais importante, com todo, nom foi a unanimidade das intervenções: nom era tanto o contido, senom o tom. Gerou-se uma onda de ilusom, de pensar em positivo depois de muito tempo, nas possibilidades que se abrem em lugar de nos males menores. Entre os centos de persoas que assistimos (as cifras variam segundo as fontes, entre 500 e 800; seguramente mais perto da primeira, mas em todo caso muita gente) o ambiente virou em otimismo ao longo da tarde. E assi, quando chegou o momento de decidir, nom houvo nem sequera que votar, já que aprovamos por aclamaçom fretarmos um novo barco e sair a navegar por novos rumos. E nessas andamos agora, no começo desse processo, que é logicamente a construçom duma nova nave.
Cara onde tirar?
O fracasso do modelo frentista no BNG dá uma primeira chave: melhor criar UM PARTIDO que uma frente. Um partido que, evidentemente, será de ESQUERDA, uma esquerda plural onde tenham cabida -visto os agentes implicados- desde a socialdemocracia clássica até o comunismo. Logicamente terá caráter nacional galego, chame-se soberanista se se quer. O modelo dum partido com ideologia definida mas plural nom é nenguma utopia; ao contrário, é o que seguem alguns dos exemplos mais válidos da esquerda atual, como a alemã Die Linke, o brasileiro Partido dos Trabalhadores, ou mais perto de nós o Bloco de Esquerda português. Assi pois, que gentes poderiamos conformar este novo sujeito? É claro que, como mínimo, o Encontro Irmandinho, Esquerda Nacionalista, e Ecogaleguistas, três forças que já estám, de iure ou de facto, fora do BNG. A maiores, toda a gente de Mais Galiza que decida dar o passo de deixar o BNG; nom creo que todos o fagam, mas si que vam ser muitos em qualquer caso. Nom tenho claro que este deva ser o projecto do PNG-PG, que na minha opiniom deveria tentar construir um polo de centro nacionalista à margem dos projetos atuais... mas vendo que o seu líder, o Xosé Mosquera, se identifica com o PT de Lula, nom tenho nada que objectar ;-) Por suposto, cumpre incorporar tamém a gente que deixou o BNG em diferentes momentos e agora nom tem adscriçom partidária; muitos já se achegárom, ou o estám a fazer. Tamém a gente do campo da autodenominada esquerda independentista, de forças como o Movimento pola Base, a Frente Popular Galega, a OLN, etc. Dentro deste último setor, é significativo que Causa Galiza decidisse começar conversas oficiais com o Encontro de cara a uma possível confluência. A fim de contas, uma das intervenções mais celebradas na assembléia do EI foi a de ‘Foz’. E, finalmente, nom me colhe dúvida de que, se finalmente somos quem de artelhar um projeto destas características, imo-nos topar mais cedo que tarde com muita gente sem experiência militante em nengum partido; gente com inquedanzas políticas, mas que até agora nom se achegara aos partidos que existiam no campo da esquerda ou o nacionalismo.
Haverá que ver em que fica todo, mas como versom atualizada do conto da leiteira, coido que nom está mal ;-)
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
A CIG potência a criaçom de cooperativas de trabalho associado como alternativa ao modelo capitalista

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Orçamentos participativos em Sam Sadurninho

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Morreu o Isaac

domingo, 1 de janeiro de 2012
Luis Soto, entre Marx e Castelao
Vem de sair do prelo um livro do coiote -natural de Coia- Xurxo Martínez sobre a figura de Luís Soto, personalidade fulcral na esquerda galega do passado século. O próprio autor falou do tema numa entrevista reproduzida no seu blogue, e Daniel Salgado publicou um artigo ao respeito em El Pais, que se reproduz a seguir (traduçom própria). O professor conhecera a miséria em primeira persoa. A República ainda nom chegara. Era 1927. Na aldeia arraiana de Buscalque, entom concelho de Lóbios e hoje baixo as augas dum encoro, Luis Soto colidiu com a realidade da Galiza descalça. "Em Buscalque nunca me entrou na escola um neno calçado, nem é comum atopar com sapatos ou zocos uma persoa maior", relatou, meia década mais tarde, na revista Escola de Trabalho, "e tal é a sujeira e miséria que puidem observar e verificar que as mães com quatro ou cinco crianças nom sabiam lavar-se ou lavar as roupas dos seus filhos. Geralmente nom cozinham para preparar alimentos e fam o menu com pão e bacalhau ou toucinho cru, quando o tenhem."
Soto (A Bola, 1902 - Cidade do México, 1981) nunca se resignou a esta realidade – uma na que chegou a contar as enfermidades de sarampo, coqueluche, escabiose, tracoma, disenteria, caxumba, eczema e viruela. E contra a resignaçom participou da fundaçom do sindicalismo galego do ensino, enrolou-se no comunismo e tentou a síntese do marxismo e a questom nacional. Foi para o exílio, retornou ao seu país natal, militou na clandestinidade, formou partidos políticos, cindiu-se pola esquerda dos mesmos partidos que constituira e mesmo redigiu umas exuberantes memórias do século. Mas a sua figura apenas estava viva em memórias de excamaradas e notas a rodapé da história dos movimentos de emancipaçom com Galiza como sujeito histórico. Até que o investigador Xurxo Martinez González recompilou a história duma vida em Luis Soto. A xeira pola unidade galega (Xerais, 2011).
"A grande contribuçom de Soto foi o ser capaz de conceber a necessidade de estruturas, organizações e partidos de esquerda com Galiza como referência", considera, de entrada, Martínez " e o seu grande logro final, a fundaçom da Uniom do Povo Galego (UPG) em 1964. " Mas nom resultou, em absoluto, uma viage tranquila. El começara com ATEO, a Associaçom de Trabalhadores do Ensino de Ourense, em cujo seio operava quando o 14 de abril de 1931 caiu a monarquia de Alfonso XIII. Integrada na Federaçom de Trabalhadores do Ensino da UGT, e já em posições comunistas, Soto promoveu a criaçom da sua secçom galega.
Som esses os anos nos que, segundo as anotações do autor de A xeira pola unidade galega, brotam as primeiras exigências entre os militantes do Partido Comunista de Espanha de galeguizar l organizaçom. Exemplifica-o a anedota de Benigno Álvarez, comunista ourensão que optou a escano nas filas da Frente Popular de 1936 junto a Alexandre Bóveda, e que se negara a falar castelhano no IV congresso do PCE em Sevilla. "Falo o idioma das classes pobres de Galiza, o galego", espetou Álvarez à presidência. Resolvérom-o com um tradutor, camarada português. "Nom hai dúvida de que houvo um debate surgido arredor da criaçom duma federaçom galega do PCE ou do PC de Galiza", escreve Martínez Gónzález, "e aqui Luís Soto foi um dos seus mais firmes defensores".
Mas o 18 de julho do 36 todo escacha em dous. Soto foge de Vigo, passa a Portugal, de ali à França e depois zona republicana. Em Valencia reencontra-se com os nacionalistas. E com Castelao, cabeça de Solidariedade Galega Antifeixista e em cuja secretaria viajaria a Cuba e aos Estados Unidos. De ali ao exílio mexicano e a participar no espectro do Governo galego no exílio, o Conselho de Galiza. A mediados dos sessenta, de novo o seu país. Com os rebeldes do Conselho da Mocidade, entre outros Méndez Ferrín, Celso Emilio Ferreiro ou Luís González Blasco, Foz, organizam a UPG. O ideal, um partido comunista e patriótico, o que ardia na cabeça de Soto desde o seu tempo como pedagogo polo rural ourensão. Doze anos depois estava fora.
"El conta-o ao jornalista Xavier Navaza na revista Teima", lembra Xurxo Martínez, "na que acusa à direçom da UPG de direitista, estalinista e pequeno-burguesa". UPG-Linha proletária e depois o Partido Galego do Proletariado (PGP), já com o regime autonômico em marcha mas como ronsel dum período político anterior, acolheriam os seus derradeiros esforços militantes. E o esquecimento.
"Já dixem que se, na crise de 1976, Soto ficasse na UPG, este livro já estaria escrito", sinala Martínez, "nom se pode negar o seu trabalho tam importante nos terrenos sindical, político, associativo e cultural". O labor de Xurxo Martínez, que nom agacha a sua "complicidade e simpatia" polo personage, tecida a base de documentos, entrevistas, hemeroteca, e apoiada em amigos do próprio Soto -Xosé González, Ferrín, García Crego- contribui a reparar, postumamente, as feridas de aquel velho frentepopulista.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
A odisséia de Beiras num país náufrago
Deixarán entrar a Xosé Manuel Beiras na homenaxe a Xosé Manuel Beiras?
A broma ven a conto por un sucedido que narrou Vladimir Nabokov, e que trataba dunha homenaxe a un poeta ruso na súa vila natal, despois dun período de ausencia en que o deron por desaparecido. Cando ía comezar o acto, ocorreu un incidente na porta do teatro. Presentárase un barbas que pretendía entrar sen a correspondente invitación, coa desculpa de que el era o poeta homenaxeado. Mais os porteiros, cumprindo o estrito protocolo, entendían que non era esa razón dabondo para o presunto desaparecido ocupar unha cadeira.
Beiras non terá ese problema, esperemos, cando se presente mañá, no auditorio de Compostela, a unha ben choída homenaxe, na que se presentará o libro de ensaios Á beira de Beiras (Editorial Galaxia), unha reflexión poliédrica sobre Galicia coa participación de 35 autores, que tecen as súas pescudas a partir daquela lanzadeira de tear que foi O atraso económico de Galicia, a piques de cumprir o 40º aniversario. Malia o título, O atraso foi unha revolución. Contribuíu a unha revolución da ollada, alén da economía. Nas clases de alfabetización de adultos, a clave é aprender a escribir e ler o propio nome. A partir de aí, en feliz expresión oída en Moaña á mestra Elisa, a xente "rompe a ler". Pois O atraso foi un deses libros estrelampos en que a xente "rompe a ver". Galicia estaba no atraso, mais non era pobre. Vivía unha malversación histórica.
Beiras podía ficar aí, como un campión da Estrutura Económica. Admirado polos seus mestres, xente moi ilustre, construíuse con el a figura dun príncipe dos contos infantís. Chamábano así, era "o noso principiño". Un día bicaría a bela terra e Galicia espertaría. Naquel tempo de emigración, a mocidade marchaba, mais nos herbais galegos aclimatábanse as vacas frisonas, as suízas, as canadenses. Velaí o absurdo paradoxo. Estraño cosmopolitismo que exportaba xente e importaba vacas. Por que Galicia non podía ser Frisia? Por que non ter algo do benestar dos cantóns que liberaron osirmandiños de Guillermo Tell? E así. Había unha Europa vitamínica, alimentada, instruída, liberal (no mellor sentido da palabra, é dicir, sexual). O socialismo nórdico, por exemplo, era o máis próximo a un paraíso posíbel. E Beiras era o noso príncipe socialista! Un príncipe que pisaba a terra, que era quen de pasar da lama da corredoira á partitura de Sibelius, que explicaba a Keynes na facultade de Económicas ao tempo que traducía a Giradoux ou Camus.
Houbo un intre en Compostela, cando se cruzaron os vellos superviventes republicanos e galeguistas e a mocidade antifascista e vangardista, en que talvez se podía dicir, na súa escala, o que Aron dicía da Normale parisina: "Nunca me encontrei con tanta xente intelixente nun espazo tan pequeno".
Mais o príncipe bicou a terra e Galicia non espertou. Quero dicir, espertar espertou, mais foise con outros, mesmo con descoñecidos, e non con el. Iso é o que teñen os contos infantís, que son os máis terríbeis. Pensen en Capuchiño Vermello, en Brancaneves, enHansel e Gretel ou Os músicos de Bremen.
Mais a historia non rematou aí, coa frustración. O noso príncipiño podía subir ao estribo do poder e incorporarse ao que Cornelius Castoriadis chamou "oligarquías liberais", e só con dicir o abracadabra: "Amén e Okey!". Mais aforcou dunha póla de figueira o maletín atado da gravata. Beiras pasou ser un Odiseo, un náufrago. Coñeceu as bocas do inferno e as tempestades. E a viaxe que viviu foi mesmiño a de Ulises: o proceso laborioso da reconstrución da memoria. Recompoñer as cachizas das intermitencias persoais e as lembranzas colectivas, mesmo os anacos tabú, os recantos prohibidos. Cando volveu, case ninguén o recoñecía. O can, o porqueiro... E algo foi pasando polo país adiante. A voz era a mesma de antes, mais tiña algo novo: traía vento. E dicía o que René Char: "Berremos ao vento que nos leva que somos nós quen o levamos". Despois do 28 de xuño de 1936, cando se plebiscitou o Estatuto de Autonomía, o "proxecto común" co que Beiras anovou o BNG déronlle os mellores resultados electorais da historia ao nacionalismo democrático galego. Era maioría a mocidade, rural e urbana. Ano de 1997. Foi a segunda forza, con 18 deputados, e o 25% dos votos. A xeira tamén en que Camilo Nogueira levará como nunca se levou a voz de Galicia a Europa.
Ademais das curvas do galego, a linguaxe de Beiras tiña, ten, o acento da esquerda transformadora. Non necesitaba explicalo. Que é o que pasou? Que síndrome autodestrutiva puido levar a semellante declive? Imaxinan a Beiras no Congreso dos Deputados ou a Nogueira no Senado? Coido que a voz de Galicia tería un eco e un prestixio de honoris causa. Sería un agasallo para o parlamentarismo hispano. E imaxinan unha homenaxe a Beiras na que falasen Touriño, Ferrín, Guerreiro, Paco Rodríguez, Aymerich et álii? Non, non é posíbel. Por que? Porque se impuxo o estilo de causa perduta. Todos a cantar o Nabucco de Verdi: "Oh mia patria sì bella e perduta!".
Teño un amigo que mantén que todo se debe á teoría dos caranguexos. En que consiste? Vai alguén pola praia cun caldeiro cheo de caranguexos, algúns están a piques de, como din en Camariñas, "meterse fóra". Outro que pasa por alí dille: "Vanche fuxir os caranguexos!". E o mariscador responde: "Non hai problema, que son galegos, e tiran os uns dos outros para abaixo". Non creo nesta fatalidade. En xeral, non creo nas fatalidades. Son unha máscara das responsabilidades.
Eu crer creo que é tempo, como diría a mestra Elisa, de "romper a ver".
Será interesante para iso oír a Beiras, se é que consegue entrar na súa homenaxe, a versión da segunda parte da Odisea galega.
E os náufragos que volvan ese día do "paraíso inquieto" do Incio, de homenaxear a Lois Pereiro, aínda teremos oportunidade de incorporármonos na noite coruñesa á expedición cívico-bohemia organizada por In Nave Civitas, en honor do pintor e "náufrago encantado" Urbano Lugrís, quen foi quen de unir por camiño submarino Percalinópolys e Xouba City (A Coruña e Vigo, en terminoloxía lugrisiana). Un punto central da convocatoria é o Palco da Música, cun acto creativo de Acción Urbano consistente en pintar paraugas, e percorrer a cidade como unha profundidade habitada, a incendiar de cores a noite e a chuvia. E pórse de xeonllos diante do mar, ese que sempre recomeza.
Xa o dixo Avelino de Corón e pregoa Xurxo Souto: "Está subindo a marea, ¡ti non quedes varado en seco!".
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Entrevista a Camilo Nogueira
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Recuperaçom da soberania popular, defensa da democracia

quinta-feira, 28 de julho de 2011
Laura Bugalho: os de fora vão-nos devorar
Reproduço a seguir um magnífico artigo de Laura Bugalho; adoito coincidir com as suas visões, mas neste caso a concordância é total. Gosto do fondo e da forma do que está a dizer, e não me resisto a salientar em negrito algumas frases que me parecem particularmente inspiradas. Por suposto, gostei especialmente do derradeiro parágrafo, no que fala do Encontro Aberto e que por certo entronca com a anterior postagem publicada neste blogue. Como militante / simpatizante / observador de movimentos da esquerda independentista / soberanista / chama-lhe como queiras, sinto-me plenamente identificado com estes anseios."Los hermanos sean unidos, esa es la ley primera, porque si no, nos devoran los de afuera", Martín Fierro, de Jose Hernandez
E nós, longe de nos amedonhar, arremuinhámos-nos por volta das nossas vontades e entidades, sem consciência de que a nossa divisão é estéril, e não só não produz mas que sombras de quem somos se não que somos as sombras das luzes que prendem os que nos violentam.
Às vezes desejaria ter voz unísona e clara para reunir antes de que nos devorem. Os tempos não são para perder-se em questões semánticas ou personalismos. Nós somos a terra, cada uma e cada um de nós levamos semente, em terra queimada, terra erma e seródia nada medra.
Escrevo isto diante do dia da nossa matria Pátria, da nossa Terra que aguarda as mil Primaveras mais. Escrevo com raiva, com lágrimas nos olhos não para anceio de esmola, se não para gestos de honra, de irmandade e de luta.
A realidade na que estamos tem que ter respostas sinceras e cordiais. Mete medo que historiaram de nós de aqui em tantos anos. Faltam poucos dias, acumular forças.
Estes dias atrás asisti ao Encontro Aberto, alá estavam as Companheiras e Companheiros no Soberanismo. Alá departiam desde a Independência e a Socialdemocracia, e entendim que seriam parte da terra liberta, alá estavam autónomas e autónomos, donas e donos de empresas, e entendin que nós, que somos do berro aceso "independentzia da socialismoa", "independentzia eta komunismoa", somos parte da luta soberanista.
A realidade na que estamos, e de seguir assim os de fora vão-nos devorar.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Encontro Aberto

domingo, 5 de junho de 2011
De Athenry a Escairom, 100 anos despois (adicado às mulheres do Savinhao)
sábado, 19 de março de 2011
Ativismo trans. Entrevista a Laura Bugalho

terça-feira, 25 de janeiro de 2011
À greve!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
III Assembleia Nacional do Encontro Irmandinho



