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domingo, 5 de junho de 2011

De Athenry a Escairom, 100 anos despois (adicado às mulheres do Savinhao)



"No ano '46 atendeu-se a chamada..."

A cançom evoca uma imagem poderosa: um cento de mulheres concentradas diante da casa do Concelho, impedindo com a sua resistência pacífica a saída dum camiom cargado de milho e centeo. Cereal colheitado polas labregas e labregos da bisbarra, necessário para evitar a fame das famílias, e que ia ser levado para fora, destinado ao estraperlo e o lucro duns poucos. A história ganha força ao saber que estamos da Galiza de 1946, em plena posguerra, no mais negro da ditadura franquista, quando as represálias por qualquer ato de rebeldia podiam ser fatais. Trata-se dum feito real, que tivo lugar em 1946 no Savinhao (terra de Lemos), e que está conectado por via musical com o acontecido em Irlanda um século antes. Explico-me:
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“The fields of Athenry” é uma fermosa cançom de aparência tradicional, escrita por Pete St. John na década de 1970 (pode-se escuitar aqui). Está ambientada nos anos da Grande Fame (1845-49), durante os quais um milhom de irlandeses morrérom de desnutriçom e outros tantos tivérom que emigrar para evitar correr a mesma sorte. Conta a história dum vizinho de Athenry (condado de Galway) que é detido e deportado a Austrália; o seu delito, roubar milho requisado pola administraçom británica para alimentar aos seus filhos. Esse tema foi adotado como hino polos seguidores do Celtic de Glasgow e da seleiçom irlandesa, e tem sido interpretado por muitos músicos. Entre eles polos Dropkick Murphys, que incluíram uma enérgica versom no seu disco Blackout de 2003 (uma autêntica obra mestra, quem ainda nom o tenha escoitado nom sei a que espera).
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Na versom dos Murphys baseárom-se os Falperrys (sucessores dos lembrados Motor Perkins) à hora de fazer a sua própria adaptaçom, que pom banda sonora a este post. Se bem musicalmente é calcada à dos Murphys, a versom dos Falperrys tem o atrativo de que a letra é algo mais que uma simple traduçom: mantendo o espírito da original, traslada a acçom 100 anos no tempo e alguns milheiros de quilômetros no espaço. Situa-se assi na Galiza da posguerra, concretamente no ano 1946 e no concelho do Savinhao. Ali, na pequena vila de Escairom, capital do concelho, tivo lugar o episódio do que estamos a falar, contado por Maria Jesús Souto Blanco no seu artigo “Una revuelta de hambre en el primer franquismo: O Saviñao”, disponível online. Compre ler esse texto para aprender os detalhes deste gesto de rebeliom, que mália nom rematar em êxito constitui um exemplo de dignidade coletiva. Um exemplo hoje quase esquecido, devido à desmemória histórica na que vivimos, que a miúde nos fai pensar que feitos como este nunca tivérom lugar... mas que provavelmente fôrom mais freqüentes do que imaginamos.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

In Memoriam Gil Scott-Heron: The Revolution Will Not Be Televised



O passado 27 de Maio foi-se-nos sem avisar Gil Scott-Heron, o home que puxo banda sonora aos tempos setenteiros da nova esquerda, e que vinha sendo dende aquela um referente político e musical. A sua cançom mais conhecida é a absolutamente icónica "The revolution will not be televised", que aparecia já no seu disco de debut. Era 1970 e, como quem nom quer a cousa, os recitados de Scott-Heron sobre uma base funk iniciavam um novo estilo musical, o hip hop... uma década antes de que os teóricos pioneiros oficiais do género, Sugarhill Gang, gravassem "Rapper's Delight". Vaia dende aqui um saúdo ao poeta, cantautor, músico de jazz ou soul, padrinho do rap, e (last but not least) filho do primeiro negro em jogar no Celtic de Glasgow. Que a terra lhe seja leve!

The revolution will be no re-run brothers; the revolution will be live


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Rock the Casbah





Isto começou sendo a história de Mohamed, e agora já é a história de milhões de persoas. O efeito bolboreta. Uma faísca que prendeu numa garrafa de gasolina. Parece uma metáfora, mas em parte é literal, a metáfora vem agora. Bem logo a garrafa virou mar, um mar agitado que inunda o mundo árabe, de Argélia ao Iémen. Alguns regimes já se desmoronárom: caiu o governo em Tunísia, caiu Mubarak, semelha que Gaddafi vai polo mesmo caminho. Grande mérito o dos povos que protestárom, derrubárom, e mesmo tomárom o poder. O mais difícil seria chegar a substituir as velhas estruturas, superá-las autogerindo-se. Disque se está a fazer em Líbia, e oxalá sigam por esse caminho. Impossível que o fagam totalmente... mas por que nom manter algo de esperança, mentres se poida. Isso si, é impossível esquecer que o próprio Gaddafi manejava uma retórica impecável (socialismo, laicismo, democracia de base, autogestom, panarabismo...) quando chegou ao poder.

A mim este estoupido colhe-me totalmente desprevenido. Coido que a todo o mundo lhe passa igual. E nom é que nom fosse previssível. Ao contrário, era quase de manual, ou? Deveria sé-lo. Levamos tempo a dizer que a crise está aqui para ficar, que o sistema se tambalea, que algo tam "apolítico" como uma rede social pode facilitar uma revolta... e o que está a passar é conseqüência lógica. Claro que se cadra nom críamos de todo no que estavamos a ouvir e dizer.

Eu som mais bem pessimista, a verdade. Mas Outra Esquerda está mais por saudar a luz que assoma polas regandixas que por dizer que aginha a vai tapar uma cortina. Assi que, deixemos o tema com ánimo festivo e a música do Rachid Taha: Rock the Casbah! :-D

quinta-feira, 6 de maio de 2010

By the time I get to Arizona

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cartazes contra a lei na rua Mission, em San Francisco


Levo umas semanas na Bay Area, felizmente desconectado do que passa polo mundo mas não de todo do que passa neste bendito pais, sem dúvida o favorito de deus, os unitedstatesofamerica. E uma das movidas que mais se comentam estes dias é a polémica (por não dizer diretamente impresentável) lei aprovada polo estado de Arizona. Uma lei que, basicamente, outorga à policia estatal o poder de deter e eventualmente deportar a imigrantes indocumentados-algo que deveria ser potestade exclusiva das autoridades federais. Ainda mais: esta lei obriga a que a policia lhe requira a documentação a qualquera persoa que resulte sospeitosa de estar ilegamente no país. Mas, quem é sospeitoso? Evidente e innegavelmente, qualquera que tenha pintas de mexicano. Ainda que os promotores da lei o neguem, não hai nenguma razão objectiva que poida apuntar a que uma persoa não está a residir legalmente nos USA, agás o preconceito racial.


Agora bem, a aprovação desta lei tem suscitado um raro consenso... na sua contra. Por dar um exemplo local (para mim polo menos, hehehe), o concelho de San Francisco vem de anunciar a sua intenção de boicotar todas as empresas de Arizona, mentres a lei esteja em vigor. Grave e valente decisão, sem dúvida. Outro exemplo significativo é o do periódico da universidade de Stanford (a qual não se caracteriza por ser particularmente progressista), e que sacou um editorial oponhendo-se à lei. Mas quiçais o mais rechamante seja a jogada dos Phoenix Suns (a equipa de Arizona) que esta tarde jogárom o seu partido de playoffs contra os Spurs com umas camisolas que ponhiam "Los Suns". Coincide que hoje era o 5 de maio, a festa dos mexicanos. Mas esta chiscadela não era um inocente gesto de simpatia cara o vezinho do Sul: ao contrário, tanto os proprietários da equipa como os jogadores se preocupárom de sinalar que este gesto era político, e tinha como objectivo a derogação da devandita lei. Num comunicado oficial, o clube di que "o resultado da aprovação desta lei é que se questionam os nossos princípios básicos de igualdade de direitos e protecção polas leis". O capitão Steve Nash di que "obviamente, os jogadores temos um problema com o que representa esta lei para o nosso Estado e para as nossas liberdades". A mais alto nível, a associação de jogadores da NBA "apoia firmemente a revogação ou imediata modificação desta legislação". Mesmo o comissionado David Stern di que o que estão a fazer os Suns lhe parece "apropriado". Os Spurs, pola sua banda, queriam jogar com a camisola de "Los Spurs" mas não puidérom por problemas logístico/burocráticos. E todo isto num deporte e numa liga que, mália a esmagadora procedência "working class" e ainda afroamericana dos seus jogadores, quase nunca se significa politicamente... pois, como dixera Michael Jordan naquela famosa frase, "os Republicanos também compram zapatilhas".




Enfim, reconforta um chisquinho saber que hai uma maioria popular que se opõe a estas medidas, e que não vacila em manifestar a sua oposição mesmo em âmbitos nos que se poderia pensar que é melhor estar calado. Como banda sonora, vamos escoitar mais uma vez aos Public Enemy, que já 20 anos há tinham ao Estado de Arizona no ponto de mira. Good luck, brothers... show'em what'cha got!
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P.S. Los Suns ganhárom o partido.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Naxalitas

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A guerrilha naxalita leva mais de 40 anos luitando por uma Índia comunista, seguindo a tática maoista de controlar o campo para tomar as cidades. Nos últimos anos a insurreição cobrou força, e a dia de hoje controlam uma parte importante do subcontinente, incluindo um "corredor vermelho" que vai do Nepal ao sudoeste. A edição brasileira de Le Monde Diplomatique explica-o num artigo, e os Asian Dub Foundation ponhem a banda sonora.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Free Ronald Biggs!

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Ronald Biggs desertou do exército em 1949, roubou quase 3 milhões de libras dum trem postal em 1963, e passou 30 anos de boa vida exilado no Brasil. No 2001 retornou a Inglaterra, onde está no cárcere desde então. Este herói dos tempos modernos tem direito, segundo a lei británica, à liberdade condicional (a qual, de facto, foi solicitada polo Parole Board of England and Scotland), mas o Jack Straw não está disposto a concedé-la. Antonte, Ronnie Biggs foi ingressado num hospital com pneumonia. Desde aqui pedimos a sua liberdade, e aproveitamos para lembrar a divertidíssima canção que cantara com os Sex Pistols em 1978: "No one is innocent". Toda uma declaração de intenções, na que foi seguramente a mais original colaboração do punk!
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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Keep on rockin' in the free world!

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Cumprem-se 20 anos desde que Neil Young publicara Freedom, magnífico álbum que supuxo o seu retorno pola porta grande à indiscutível excelência musical tras uns erráticos anos '80. Nel atopávasse uma das minhas canções favoritas de todos os tempos: uma raivosa denúncia do sistema do "mundo livre", uma labazada na cara de Reagan e um esgarro na de George Bush I, os presidentes saíntes e entrantes naquela altura. Com este temazo inflamara Neil Young os bises daquela noite na que o fomos ver n'a Crunha, e polo visto (informa Alberto) segue a fazê-lo também agora. Se não che ferve o sangue com esta canção, é provável que já estejas morto. Forever Young, keep on rockin' in the free world!


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Nota: o video recolhe a versão single, que está acurtada de jeito que não se chega a cantar o último parágrafo da letra... que para mim é quase o melhor, com isso da "kinder, gentler machine gun hand". Mas toda ela é sensacional, verso tras verso sem desperdício. Veja-se:

There's colors on the street / Red, white and blue / People shufflin' their feet / People sleepin' in their shoes / But there's a warnin' sign on the road ahead / There's a lot of people sayin' we'd be better off dead / Don't feel like Satan, but I am to them / So I try to forget it, any way I can.

Keep on rockin' in the free world (x4)

I see a woman in the night / With a baby in her hand / Under an old street light / Near a garbage can / Now she puts the kid away, and she's gone to get a hit / She hates her life, and what she's done to it / There's one more kid that will never go to school / Never get to fall in love, never get to be cool.

Keep on rockin' in the free world (x4)

We got a thousand points of light / For the homeless man / We got a kinder, gentler, machine gun hand / We got department stores and toilet paper / Got styrofoam boxes for the ozone layer / Got a man of the people, says keep hope alive / Got fuel to burn, got roads to drive.

Keep on rockin' in the free world (x4)

sábado, 16 de maio de 2009

Desenterrando a McCarthy: a ilegalização de Iniciativa Internacionalista

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A candidatura ao parlamento europeu Iniciativa Internacionalista, encabeçada polo dramaturgo madrilenho Alfonso Sastre e pola avogada castelhana Doris Benegas, e integrada por outras persoas a título individual (o "nosso" X. L. Méndez Ferrín no posto nº 6) assi como por diversos partidos de esquerda (Izquierda Castellana, Corriente Roja), vem de ser ILEGALIZADA polo estado espanhol. A excusa é que esta lista teria sido apoiada (em segredo!) por Batasuna. A lista de Unidá Nacionalista Asturiana, integrada unicamente por gente de Asturies, estivo a piques de ser ilegalizada também polo mesmo motivo. Polo visto, o ridículo das acusações (que lembram a paranoia anticomunista do McCarthysmo -de aí o clássico dos REM que serve de banda sonora a este texto) e a extrema gravidade da medida não abondam para que os meios de comunicação lhe prestem a devida atenção -- não sendo polos clássicos arroutos da covacha fascista. As forças políticas "de esquerda" estão a ficar retratadas neste processo: mentres que Aralar ou ERC já amosárom a sua solidariedade, o BNG cala a boca, e IU mesmo exigiu a alguns dos seus membros que tinham avalado a candidatura a retirada de ditos avais. Vergonha deveria de dar-lhes, quando todo um prémio Nobel da Paz como Pérez Esquivel já enviou uma carta a Zapatero manifestando a sua repulsa pola ilegalização.

Outra Esquerda condena energicamente (isto é, com a pouca energia que poda ter) a ilegalização da candidatura de Iniciativa Internacionalista [sem que isto implique que coincida com as suas posturas].

Actualização: Finalmente (22 de maio), o Tribunal Constitucional espanhol rectificou ao Supremo e permitiu a apresentação da candidatura de Iniciativa Internacionalista.  O dia seguinte (23 de maio), a "esquerda abertzale de toda a vida" pedia publicamente, por boca de Arnaldo Otegi, o voto para esta candidatura. Os macarthynhos devem estar a botar escuma pola boca! XD 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Björk : Declare Independence

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Quando Björk publicou o single "Declare Independence" -incluido no seu álbum "Volta" (2007)-, deixou confusos a muitos fans e jornalistas. Um hino a prol da independência dos povos nom lhes quadrava bem com a image arty, cosmopolita e cool da artista islandesa. Mesmo tentaram buscar-lhe outras interpretações, como fazia a revista alemã Intro no seu número de maio do 2007 (traduçom própria):
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Intro: É "Declare Independence" um hino feminino?
Björk: É o meu senso de humor privado. Quando escrevia o texto às vezes nom podia parar de rir. É um pouco arroutado, como para excitarmo-nos eu e mais os meus amigos. Mais por outra banda o tema da independência, em relaçom com os movimentos a prol do autogoverno de Groenlândia e as ilhas Färoe, é onipresente na prensa islandesa. Ainda som colônias danesas, e mentres haja ali reservas de gas natural, assi ficarám. Portanto, é umha cançom para os nossos vizinhos, umha chamada a içarem a sua própria bandeira.
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Polissemias à marge, está claro que um dos significados do tema é o óbvio. Eis o video que Michel Gondry realizou para esta cançom, seguido pola sua letra:
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[x4] Declare independence! Don't let them do that to you!
Start your own currency!
Make your own stamp
Protect your language
[x4] Declare independence! Don't let them do that to you!
Make your own flag!
[x6] Raise your flag! (Higher, higher!)
[x2] Declare independence! Don't let them do that to you!
Damn colonists
Ignore their patronizing
Tear off their blindfolds
Open their eyes
[x2] Declare independence! Don't let them do that to you!
With a flag and a trumpet
Go to the top of your highest mountain!
And raise your flag! (Higher, higher!)
[x5] Raise your flag! (Higher, higher!)
[x2] Declare independence! Don't let them do that to you!
Raise the flag!
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domingo, 12 de outubro de 2008

Antes esmolar que policia ou militar

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Como cada ano, as forças armadas espanholas aproveitam a sua festa nazional para tentar captar carne fresca. Esta vez, com um anúncio no que amigos e familiares falam emocionados do orgulho e respeito que lhes inspira o soldadito espanhol. Algo claramente desenhado para atraer descerebrados sem ofício nem benefício, aos que se lhes quer fazer pensar que metendo-se a milicos arranjarám a sua vida e passarám a ser gente respeitável, ademais de passa-lo bomba combatendo aos malos. Pois eu quero dizer-lhes moi brevemente um par de cousas (em menos de 2 minutos cada umha). A primeira, por boca dum clássico de The Clash, "Career opportunities":
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E por se nom quedara suficientemente claro (esta gentinha é duvidoso que entenda o inglês), ai vai esta outra mensage, neste caso d'a Polla Records:
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E agora, o que queira que se suba a um tanque e se vaia a Afganistám. E que lhe aproveite.

domingo, 28 de setembro de 2008

Godspeed You! Black Emperor



Já avisara Arrabal, num breve arrebato de lúcida ebriedade: o milenarismo vai chegar. Abofé. Entre 1997 e 2003, o colectivo ácrata e trascendental de Montreal Godspeed You! Black Emperor encarnárom como ninguém o zeitgeist de umha época convulsa como todas e marcada a ferro e lume polo 11S. Ao longo de, principalmente, 3 discos e 1 EP, inflamárom a inquedança do câmbio de século em longos fragmentos musicais de esperança desalienante. Musicalmente, representárom a facçom mais ultraísta do post-rock, a penúltima mutaçom evolutiva das guitarras e baterias. Sem o pulso rítmico de Mogwai, mas capazes de sacudidas épicas quase wagnerianas. Hope. Please believe. Quem queira saber do que fôrom capazes pode ver os seguintes videos em YouTube; mas já nom os poderá desfrutar ao vivo como nós, que tivemos o privilégio de ve-los e escuitá-los no teatro dos salesianos em Vigo. E é que os canadianos pouco a pouco deixárom de dar sinais de vida como GYBE para se transmutar parcialmente em Thee Silver Mount Zion Memorial Orchestra and Tra-La-La Band. Deixamos-vos com o começo de The Dead Flag Blues, o inesquecível corte inicial do seu disco de debut, f#a#∞; e as suas alucinadas e posapocalípticas visões.



The car's on fire and there's no driver at the wheel
and the sewers are all muddied with a thousand lonely suicides
and a dark wind blows

the government is corrupt
and we're on so many drugs
with the radio on and the curtains drawn

we're trapped in the belly of this horrible machine
and the machine is bleeding to death

the sun has fallen down
and the billboards are all leering
and the flags are all dead at the top of their poles

it went like this:

the buildings tumbled in on themselves
mothers clutching babies picked through the rubble
and pulled out their hair

the skyline was beautiful on fire
all twisted metal stretching upwards
everything washed in a thin orange haze

i said: "kiss me, you're beautiful
-these are truly the last days"

you grabbed my hand and we fell into it
like a daydream or a fever

we woke up one morning and fell a little further down
-for sure it's the valley of death

i open up my wallet
and it's full of blood

domingo, 27 de julho de 2008

Fausto: Uns vão bem e outros mal

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Conhecim esta cançom despois de que minha nai a escoitara na rádio. Gustara-lhe tanto que lha gravei. Nom sabiamos quem era o seu autor, assi que ela chamou à emisora -coido que era a SER- e ali lho dixérom: Fausto, um nome daquela desconhecido para mim (e para ela). O tema de baixar canções de internet nom existia por aquel entom (nem tinhamos internet na casa, parece-me), assi que só podia buscar algum disco seu. Pouco despois atopei (creo lembrar que foi no Corte Inglés, mira ti) o CD "Madrugada dos trapeiros", de 1978, onde vinha esta cançom, e merquei-no. Desde aquela, é um clássico da minha discografia de combate, como sabem todos aqueis que se lembrem da "Last Fight Tape" (e eu pregunto-me, haverá alguém, aparte de Fernando?).
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Enfim, aí tedes esta marabilha. E agradecementos a Oleiros70, quem se currou este fermoso video e o disponibilizou em YouTube.
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Senhoras e meus senhores, façam roda por favor
Senhoras e meus senhores, façam roda por favor, cada um com o seu par
Aqui não há desamores, se é tudo trabalhador o baile vai começar
Senhoras e meus senhores, batam certos os pézinhos, como bate este tambor
Não queremos cá opressores, se estivermos bem juntinhos, vai-se embora o mandador
Vai-se embora o mandador

CONTINUAR LENDO (VEM O RESTO DA LETRA...)


Faz lá como tu quiseres, faz lá como tu quiseres, faz lá como tu quiseres
Folha seca cai ao chão, folha seca cai ao chão
Eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres,
Que eu sou doutra condição, que eu sou doutra condição

De velhas casas vazias, palácios abandonados, os pobres fizeram lares
Mas agora todos os dias, os polícias bem armados desocupam os andares
Para que servem essas casas, a não ser para o senhorio viver da especulação
Quem governa faz tábua rasa, mas lamenta com fastio a crise da habitação
E assim se faz Portugal, uns vão bem e outros mal

Faz lá como tu quiseres, faz lá como tu quiseres, faz lá como tu quiseres
Folha seca cai ao chão, folha seca cai ao chão
Eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres,
Que eu sou doutra condição, que eu sou doutra condição

Tanta gente sem trabalho, não tem pão nem tem sardinha e nem tem onde morar
Do frio faz agasalho, que a gente está tão magrinha da fome que anda a rapar
O governo dá solução, manda os pobres emigrar, e os emigrantes que regressaram
Mas com tanto desemprego, os ricos podem voltar porque nunca trabalharam
E assim se faz Portugal, uns vão bem e outros mal

Faz lá como tu quiseres, faz lá como tu quiseres, faz lá como tu quiseres
Folha seca cai ao chão, folha seca cai ao chão
Eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres,
Que eu sou doutra condição, que eu sou doutra condição

E como pode outro alguém, tendo interesses tão diferentes, governar trabalhadores
Se aquele que vive bem, vivendo dos seus serventes, tem diferentes valores
Não nos venham com cantigas, não cantamos para esquecer, nós cantamos para lembrar
Que só muda esta vida, quando tiver o poder o que vive a trabalhar
Segura bem o teu par, que o baile vai terminar

Faz lá como tu quiseres, faz lá como tu quiseres, faz lá como tu quiseres
Folha seca cai ao chão, folha seca cai ao chão
Eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres,
Que eu sou doutra condição, que eu sou doutra condição

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O Povo Lakotah declara a independência

A verdade é que ultimamente este blog está ponhendo mais notícias de actualidade do que seria desejável (supom-se que deveriam aparecer fundamentalmente textos de pensamento político); mais nom me podo resistir a comentar esta nova que saiu fai poucas semanas. Trata-se de que o povo lakotah (os "índios sioux" das pelis gringas) declaram que, à vista de que o governo USA incumpre os tratados assinados entre 1851 e 1868, e dada a sua desesperada situaçom (esperança de vida de 44 anos, 85% de paro), eles rejeitam estes acordos e declaram a sua independência. Já recibírom o apoio de Evo Morales e Hugo Chávez. Agardo que nom tardem em recibir o da ONU, que menos! E agardo tamém que Neil Young, acompanhado por suposto de Crazy Horse (que era um lakotah) nom tarde em ir tocar ao novo país, que se estende por Nebraska, Dakota do Sul e do Norte, Wyoming e Montana. Mentres tanto, eis umha interpretaçom de Pocahontas que podedes escoitar mentres ledes o resto do post.
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O seguinte texto explica-o todo, e pode-se consultar tamém aqui. E nom deixedes de visitar a web citada ao final do post!

.WASHINGTON, DC - December 20 - Lakota Sioux Indian representatives declared sovereign nation status today in Washington D.C. following Monday's withdrawal from all previously signed treaties with the United States Government. The withdrawal, hand delivered to Daniel Turner, Deputy Director of Public Liaison at the State Department, immediately and irrevocably ends all agreements between the Lakota Sioux Nation of Indians and the United States Government outlined in the 1851 and 1868 Treaties at Fort Laramie Wyoming.

"This is an historic day for our Lakota people," declared Russell Means, Itacan of Lakota. "United States colonial rule is at its end!"

"Today is a historic day and our forefathers speak through us. Our Forefathers made the treaties in good faith with the sacred Canupa and with the knowledge of the Great Spirit," shared Garry Rowland from Wounded Knee. "They never honored the treaties, that's the reason we are here today."

The four member Lakota delegation traveled to Washington D.C. culminating years of internal discussion among treaty representatives of the various Lakota communities. Delegation members included well known activist and actor Russell Means, Women of All Red Nations (WARN) founder Phyllis Young, Oglala Lakota Strong Heart Society leader Duane Martin Sr., and Garry Rowland, Leader Chief Big Foot Riders. Means, Rowland, Martin Sr. were all members of the 1973 Wounded Knee takeover.

"In order to stop the continuous taking of our resources – people, land, water and children- we have no choice but to claim our own destiny," said Phyllis Young, a former Indigenous representative to the United Nations and representative from Standing Rock.

Property ownership in the five state area of Lakota now takes center stage. Parts of North and South Dakota, Nebraska, Wyoming and Montana have been illegally homesteaded for years despite knowledge of Lakota as predecessor sovereign [historic owner]. Lakota representatives say if the United States does not enter into immediate diplomatic negotiations, liens will be filed on real estate transactions in the five state region, clouding title over literally thousands of square miles of land and property.

Young added, "The actions of Lakota are not intended to embarrass the United States but to simply save the lives of our people".

Following Monday's withdrawal at the State Department, the four Lakota Itacan representatives have been meeting with foreign embassy officials in order to hasten their official return to the Family of Nations.

Lakota's efforts are gaining traction as Bolivia, home to Indigenous President Evo Morales, shared they are "very, very interested in the Lakota case" while Venezuela received the Lakota delegation with "respect and solidarity."

"Our meetings have been fruitful and we hope to work with these countries for better relations," explained Garry Rowland. "As a nation, we have equal status within the national community."

Education, energy and justice now take top priority in emerging Lakota. "Cultural immersion education is crucial as a next step to protect our language, culture and sovereignty," said Means. "Energy independence using solar, wind, geothermal, and sugar beets enables Lakota to protect our freedom and provide electricity and heating to our people."

The Lakota reservations are among the most impoverished areas in North America, a shameful legacy of broken treaties and apartheid policies. Lakota has the highest death rate in the United States and Lakota men have the lowest life expectancy of any nation on earth, excluding AIDS, at approximately 44 years. Lakota infant mortality rate is five times the United States average and teen suicide rates 150% more than national average. 97% of Lakota people live below the poverty line and unemployment hovers near 85%.

"After 150 years of colonial enforcement, when you back people into a corner there is only one alternative," emphasized Duane Martin Sr. "The only alternative is to bring freedom into its existence by taking it back to the love of freedom, to our lifeway."
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We are the freedom loving Lakota from the Sioux Indian reservations of Nebraska, North Dakota, South Dakota and Montana who have traveled to Washington DC to withdraw from the constitutionally mandated treaties to become a free and independent country. We are alerting the Family of Nations we have now reassumed our freedom and independence with the backing of Natural, International, and United States law.
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For more information, please visit our new website at http://www.lakotafreedom.com/.


terça-feira, 23 de outubro de 2007

The Housemartins: Marx, Jesus e Pop

Orgulhosos de ser a "4ª melhor banda de Hull", The Housemartins escribírom algumhas das páginas mais brilhantes do pop británico dos '80, o que nom é dizer pouco. Com umha mensage a miudo explícita (na contraportada do seu 1º disco pode ler-se "Take Marx. Take Jesus. Take Hope") figurárom entre os artistas "roxos" que criticavam o thatcherismo com a característica flema e humor ingleses. Entre os seus logros, o magistral LP "The People Who Grinned Themselves To Death", do 1987, onde aparece este clásico "Me and the Farmer". Socialismo e hilaridade, pop e crítica social.
(E, si, um deles transformou-se em Fat Boy Slim).

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Public Enemy - Fight The Power!!

Public Enemy, a melhor banda de hip hop de todos os tempos, gravados no seu melhor momento (era o ano 1989). Quando se juntam talento, raiva e oportunidade, podem passar cousas coma esta. Eles sabiam que melhor que tomar o poder é destrui-lo (e por isso a sua guarda persoal, os uniformados que aparecem no vídeo, bailam funk em vez de marchar militarmente: nengumha revoluçom val a pena se nom tem ritmo). What we got to say... power to people no delay!
Quedades avisados.

1989 the number another summer (get down)
Sound of the funky drummer
Music hittin' your heart cause I know you got soul
(Brothers and sisters, hey)
Listen if you're missin' y'all
Swingin' while I'm singin'
Givin' whatcha gettin'
Knowin' what I know
While the Black bands sweatin'
And the rhythm rhymes rollin'
Got to give us what we want
Gotta give us what we need
Our freedom of speech is freedom or death
We got to fight the powers that be
Lemme hear you say
Fight the power
Chorus
As the rhythm designed to bounce
What counts is that the rhymes
Designed to fill your mind
Now that you've realized the prides arrived
We got to pump the stuff to make us tough
from the heartIt's a start, a work of art
To revolutionize make a change nothin's strange
People, people we are the same
No we're not the same cause we don't know the game
What we need is awareness, we can't get careless
You say what is this?
My beloved lets get down to business
Mental self defensive fitness
(Yo) bum rush the show
You gotta go for what you know
Make everybody see, in order to fight the powers that be
Lemme hear you say...
Fight the Power
Chorus
Elvis was a hero to most
But he never meant shit to me you see
Straight up racist that sucker was
Simple and plain
Mother fuck him and John Wayne
Cause I'm Black and I'm proud
I'm ready and hyped plus I'm amped
Most of my heroes don't appear on no stamps
Sample a look back you look and find
Nothing but rednecks for 400 years if you check
Don't worry be happyWas a number one jam
Damn if I say it you can slap me right here
(Get it) lets get this party started right
Right on, c'mon
What we got to say
Power to the people no delay
To make everybody see
In order to fight the powers that be
(Fight the Power)