sábado, 19 de janeiro de 2013
Energia 100% renovável o 99.9% do tempo
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Energia 100% renovável? A utopia cada vez mais perto
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Wiener sem filtro: Cibernética e Sociedade

ler mais
(...) Desde hai tempo tenho claro que o moderno computador ultra-rápido é em princípio um sistema nervoso central ideal para um dispositivo de control automático; e que as suas entradas e saídas não tenhem por que ter a forma de números ou diagramas, senão que bem podem ser, respectivamente, as leituras de órgãos sensoriais artificiais tais como células fotoelétricas ou termômetros, e o acionamento de motores ou solenóides. Com a ajuda de galgas ou elementos similares para ler o desempenho destes órgãos motores e “realimentar” ou informar ao sistema de control a modo de sensor kinestésico artificial, estamos já em condições de construir máquinas artificiais de quase qualquer grão de sofisticação nas prestações. Muito antes de Nagasaki e da consciência pública da bomba atômica, já se me ocorrera que aqui estávamos na presença de outra potencialidade social de importância nunca antes vista para o bem e para o mal. A fábrica automatizada, a cadeia de montagem sem agentes humanos, só estão separadas de nós pólos limites que ponhamos à nossa vontade de investir tanto esforço no seu desenho como o que foi investido, por exemplo, no desenvolvimento da técnica do radar na segunda guerra mundial.
Tenho dito que este novo desenvolvimento tem possibilidades ilimitadas para bem e para mal. Para começar, converte o domínio metafórico das máquinas, como o imaginou Samuel Butler, num problema bem imediato e não metafórico. Dá-lhe à raça humana uma nova e mui efetiva coleção de escravos mecânicos para levar a cabo o seu trabalho. Esse trabalho mecânico tem a maioria das propriedades econômicas do trabalho escravo, ainda que, ao contrário que o trabalho escravo, não acarreta os perversos efeitos diretos da crueldade humana. Porém, todo trabalho que aceita as condições de competição com o trabalho escravo, aceita as condições do trabalho escravo, e é essencialmente trabalho escravo. A palavra chave desta afirmação é competição. Pode que para a humanidade seja uma cousa boa que a máquina o releve da necessidade de tarefas subalternas e desagradáveis; ou pode que não o seja. Não o sei. Não pode ser bom que estas novas possibilidades sejam avaliadas em termos de mercado, do dinheiro que aforram; e são precisamente os termos do livre mercado, a “quinta liberdade”, os que se tenhem convertido numa ladainha do sector da opinião norte-americana representada póla Associação Nacional de Fabricantes e o Saturday Evening Post. Digo opinião norte-americana porque, como norte-americano, é a que melhor conheço, mas os mercachifles não conhecem fronteiras.
Talvez clarifique o marco histórico da situação atual se digo que a primeira revolução industrial, a revolução das “escuras fábricas satânicas”, foi a desvalorização do braço humano pola competição da maquinaria. Nengum salário que lhe dê para viver a um pica-pedreiro americano é suficientemente baixo para competir com o trabalho duma escavadora. A moderna revolução industrial está similarmente destinada a desvalorizar o cérebro humano, polo menos nas suas decisões mais simples e rotineiras. Por suposto, ao igual que o carpinteiro qualificado, o mecânico qualificado, ou o sastre qualificado sobreviveram até certo ponto à primeira revolução industrial, do mesmo jeito o cientista qualificado e o administrador qualificado podem sobreviver à segunda. Porém, uma vez realizada a segunda revolução, o ser humano médio de méritos medíocres ou inferiores não tem nada a oferecer polo que alguém queira pagar.
A resposta, por suposto, é ter uma sociedade baseada em valores humanos diferentes à compra e a venda. Para chegar a esta sociedade precisamos de muita planificação e de muita luita – a qual, se todo vai bem, poderá ser no plano das idéias, e em caso contrário – quem sabe? Assim, sentim que era o meu dever passar a minha informação e entendimento a aqueles que tenhem um interesse ativo nas condições e no futuro do trabalho – é dizer, os sindicatos. Conseguim contatar com uma ou duas persoas com responsabilidades na C.I.O., que me escoitárom com muita inteligência e simpatia. Além destes indivíduos nem eu nem nengum deles fomos capaz de chegar. A sua opinião, que coincidia com a minha informação e observações prévias tanto nos USA como em Inglaterra, era que os sindicatos e os movimentos de trabalhadores estão em mãos de persoal altamente especializado, minuciosamente preparado para os problemas de disputas salariais ou de condições de trabalho; e totalmente carentes de preparação para afrontar as questões mais gerais de tipo político, técnico, sociológico e econômico que afetam a mesma existência do trabalho. As razões para isto são bem doadas de ver: o delegado sindical provém polo geral da exigente vida dum administrador sem nenguma oportunidade para uma formação mais ampla; e para aqueles que tenhem esta formação, uma carreira sindical não é polo geral atrativa; nem tampouco os sindicatos, naturalmente, são receptivos a essas persoas.
Aqueles de nós que tenhem contribuído à nova ciência da cibernética estamos assim numa posição que é, por dizi-lo suavemente, pouco cômoda. Temos contribuído ao começo duma nova ciência que, tal e como dixem, abarca desenvolvimentos técnicos com enormes possibilidades para o bem e para o mal. Só podemos entregá-la ao mundo que existe no nosso entorno, e esse é o mundo de Belsen e Hiroshima. Nem sequera temos a opção de suprimir estes novos desenvolvimentos técnicos. Pertencem à sua época, e o mais que poderíamos conseguir por abstenção seria deixar o desenvolvimento da matéria nas mãos dos mais irresponsáveis dos nossos engenheiros. O melhor que podemos fazer é tentar que um público amplo entenda a tendência e a importância do trabalho atual, e confinar os nossos esforços persoais a aqueles áreas, tais como a fisiologia ou a psicologia, mais afastadas da guerra e da explotação. Como temos visto, hai quem espera que o bem duma melhor compreensão do home e da sociedade que oferece esta nova área de trabalho pode antecipar e compensar a acidental contribuição que estamos a fazer à concentração de poder (o qual sempre está concentrado, polas mesmas condições da sua existência, nas mãos dos menos escrupulosos) . Escrevo em 1947, e por força tenho que dizer que é uma esperança mui cativa.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Steven Chu: câmbio climático, aforro energético e relação entre investigação pura e aplicada
As Compton Lectures são umas charlas que tenhem lugar no MIT desde 1957 e que são impartidas por oradores de mui alto nível. Não tenhem uma periodicidade fixa, e desde o seu início tem havido uma média inferior a uma por ano. São por tanto um evento bastante excepcional, assi que tivem muita sorte de poder assistir a uma este ano. Em concreto, a impartida por Steven Chu, prémio Nobel de Física em 1997 e novo Secretário de Energia da administração Obama. O tema (O problema energético e a relação entre a investigação básica e aplicada), não podia ser mais interessante, e o encargado de falar dificilmente podia ser mais acaido; e a verdade é que a charla não defraudou. Porque Steven Chu não só é algo parecido a um génio, também é um orador excelente... e além disso tem uns pontos de vista sorprendentemente refrescantes. domingo, 11 de janeiro de 2009
Andrew Flood: Civilizaçom, Primitivismo e Anarquismo
Introduzíramos a polêmica sobre o Primitivismo com uma introduçom a cargo de um dos seus defensores, John Moore. Recomendamos continuar agora com um artigo de um dos seus detractores, o anarquista irlandês Andrew Flood (pode-se consultar a versom original em inglês ou uma traduçom ao castelhano). O texto centra-se em criticar que a alternativa primitivista nom é verdadeiramente uma alternativa, pois uma sociedade de caçadores-recolectores nom poderia alimentar mais que a uma ínfima minoria (sendo generosos, o 2%) da povoaçom mundial -nom constituindo portanto nengum tipo de soluçom para o 98% restante. Além disso, o artigo lamenta que os primitivistas se considerem -e sejam considerados- "anarquistas", quando rejeitam a organizaçom de massas que o anarquismo veu considerando classicamente como a única forma de luitar contra a opressom e provocar um câmbio revolucionário. segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Balabanian e a (suposta) neutralidade da tecnologia
É a tecnologia algo neutral, cuja bondade ou maldade depende do uso que se lhe dea? É algo intrinsecamente positivo para o desenvolvemento da humanidade, que incrementa as suas possibilidades de liberdade?terça-feira, 28 de outubro de 2008
John Moore: A Primitivist Primer
What is anarcho-primitivism?
So why is the term anarcho-primitivist used to characterise this current?
In 1986, the circle around the Detroit paper Fifth Estate indicated that they were engaged in developing a 'critical analysis of the technological structure of western civilization[,] combined with a reappraisal of the indigenous world and the character of primitive and original communities. In this sense we are primitivists ...' The Fifth Estate group sought to complement a critique of civilization as a project of control with a reappraisal of the primitive, which they regarded as a source of renewal and anti-authoritarian inspiration. This reappraisal of the primitive takes place from an anarchist perspective, a perspective concerned with eliminating power relations. Pointing to 'an emerging synthesis of post-modern anarchy and the primitive (in the sense of original), Earth-based ecstatic vision,' the Fifth Estate circle indicated:
We are not anarchists per se, but pro-anarchy, which is for us a living, integral experience, incommensurate with Power and refusing all ideology ... Our work on the FE as a project explores possibilities for our own participation in this movement, but also works to rediscover the primitive roots of anarchy as well as to document its present expression. Simultaneously, we examine the evolution of Power in our midst in order to suggest new terrains for contestations and critique in order to undermine the present tyranny of the modern totalitarian discourse - that hyper-reality that destroys human meaning, and hence solidarity, by simulating it with technology. Underlying all struggles for freedom is this central necessity: to regain a truly human discourse grounded in autonomous, intersubjective mutuality and closely associated with the natural world.
The aim is to develop a synthesis of primal and contemporary anarchy, a synthesis of the ecologically-focussed, non-statist, anti-authoritarian aspects of primitive lifeways with the most advanced forms of anarchist analysis of power relations. The aim is not to replicate or return to the primitive, merely to see the primitive as a source of inspiration, as exemplifying forms of anarchy.
CONTINUAR LENDO...
For anarcho-primitivists, civilization is the overarching context within which the multiplicity of power relations develop. Some basic power relations are present in primitive societies - and this is one reason why anarcho-primitivists do not seek to replicate these societies - but it is in civilization that power relations become pervasive and entrenched in practically all aspects of human life and human relations with the biosphere. Civilization - also referred to as the megamachine or Leviathan - becomes a huge machine which gains its own momentum and becomes beyond the control of even its supposed rulers. Powered by the routines of daily life which are defined and managed by internalized patterns of obedience, people become slaves to the machine, the system of civilization itself. Only widespread refusal of this system and its various forms of control, revolt against power itself, can abolish civilization, and pose a radical alternative. Ideologies such as Marxism, classical anarchism and feminism oppose aspects of civilization; only anarcho-primitivism opposes civilization, the context within which the various forms of oppression proliferate and become pervasive - and, indeed, possible. Anarcho-primitivism incorporates elements from various oppositional currents - ecological consciousness, anarchist anti-authoritarianism, feminist critiques, Situationist ideas, zero-work theories, technological criticism - but goes beyond opposition to single forms of power to refuse them all and pose a radical alternative.
How does anarcho-primitivism differ from anarchism, or other radical ideologies?
From the perspective of anarcho-primitivism, all other forms of radicalism appear as reformist, whether or not they regard themselves as revolutionary. Marxism and classical anarchism, for example, want to take over civilization, rework its structures to some degree, and remove its worst abuses and oppressions. However, 99% of life in civilization remains unchanged in their future scenarios, precisely because the aspects of civilization they question are minimal. Although both want to abolish capitalism, and classical anarchism would abolish the State too, overall life patterns wouldn't change too much. Although there might be some changes in socioeconomic relations, such as worker control of industry and neighbourhood councils in place of the State, and even an ecological focus, basic patterns would remain unchanged. The Western model of progress would merely be amended and would still act as an ideal. Mass society would essentially continue, with most people working, living in artificial, technologised environments, and subject to forms of coercion and control.
Radical ideologies on the Left seek to capture power, not abolish it. Hence, they develop various kinds of exclusive groups - cadres, political parties, consciousness-raising groups - in order to win converts and plan strategies for gaining control. Organizations, for anarcho-primitivists, are just rackets, gangs for putting a particular ideology in power. Politics, 'the art and science of government,' is not part of the primitivist project; only a politics of desire, pleasure, mutuality and radical freedom.
Where, according to anarcho-primitivism, does power originate?
Again, a source of some debate among anarcho-primitivists. Perlman sees the creation of impersonal institutions or abstract power relations as the defining moment at which primitive anarchy begins to be dismantled by civilized social relations. In contrast, John Zerzan locates the development of symbolic mediation - in its various forms of number, language, time, art and later, agriculture - as the means of transition from human freedom to a state of domestication. The focus on origin is important in anarcho-primitivism because primitivism seeks, in exponential fashion, to expose, challenge and abolish all the multiple forms of power that structure the individual, social relations, and interrelations with the natural world. Locating origins is a way of identifying what can be safely salvaged from the wreck of civilization, and what it is essential to eradicate if power relations are not to recommence after civilization's collapse.
What kind of future is envisaged by anarcho-primitivists?
Anarcho-primitivist journal "Anarchy; A Journal of Desire Armed" envisions a future that is 'radically cooperative & communitarian, ecological and feminist, spontaneous and wild,' and this might be the closest you'll get to a description! There's no blueprint, no proscriptive pattern, although it's important to stress that the envisioned future is not 'primitive' in any stereotypical sense. As the Fifth Estate said in 1979: 'Let us anticipate the critics who would accuse us of wanting to go "back to the caves" or of mere posturing on our part - i.e., enjoying the comforts of civilization all the while being its hardiest critics. We are not posing the Stone Age as a model for our Utopia[,] nor are we suggesting a return to gathering and hunting as a means for our livelihood.' As a corrective to this common misconception, it's important to stress that that the future envisioned by anarcho-primitivism is sui generis - it is without precedent. Although primitive cultures provide intimations of the future, and that future may well incorporate elements derived from those cultures, an anarcho-primitivist world would likely be quite different from previous forms of anarchy.
How does anarcho-primitivism view technology?
John Zerzan defines technology as 'the ensemble of division of labor/production/industrialism and its impact on us and on nature. Technology is the sum of mediations between us and the natural world and the sum of those separations mediating us from each other. It is all the drudgery and toxicity required to produce and reproduce the stage of hyper-alienation we languish in. It is the texture and the form of domination at any given stage of hierarchy and domination.' Opposition to technology thus plays an important role in anarcho-primitivist practice. However, Fredy Perlman says that 'technology is nothing but the Leviathan's armory,' its 'claws and fangs.' Anarcho-primitivists are thus opposed to technology, but there is some debate over how central technology is to domination in civilization.
A distinction should be drawn between tools (or implements) and technology. Perlman shows that primitive peoples develop all kinds of tools and implements, but not technologies: 'The material objects, the canes and canoes, the digging sticks and walls, were things a single individual could make, or they were things, like a wall, that required the cooperation of many on a single occasion .... Most of the implements are ancient, and the [material] surpluses [these implements supposedly made possible] have been ripe since the first dawn, but they did not give rise to impersonal institutions. People, living beings, give rise to both.' Tools are creations on a localised, small-scale, the products of either individuals or small groups on specific occasions. As such, they do not give rise to systems of control and coercion.
Technology, on the other hand, is the product of large-scale interlocking systems of extraction, production, distribution and consumption, and such systems gain their own momentum and dynamic. As such, they demand structures of control and obedience on a mass scale - what Perlman calls impersonal institutions. As the Fifth Estate pointed out in 1981: 'Technology is not a simple tool which can be used in any way we like. It is a form of social organization, a set of social relations. It has its own laws. If we are to engage in its use, we must accept its authority. The enormous size, complex interconnections and stratification of tasks which make up modern technological systems make authoritarian command necessary and independent, individual decision-making impossible.'
Anarcho-primitivism is an anti-systemic current: it opposes all systems, institutions, abstractions, the artificial, the synthetic, and the machine, because they embody power relations. Anarcho-primitivists thus oppose technology or the technological system, but not the use of tools and implements in the senses indicated here. As to whether any technological forms will be appropriate in an anarcho-primitivist world, there is debate over this issue. The Fifth Estate remarked in 1979 that: 'Reduced to its most basic elements, discussions about the future sensibly should be predicated on what we desire socially and from that determine what technology is possible. All of us desire central heating, flush toilets, and electric lighting, but not at the expense of our humanity. Maybe they are all possible together, but maybe not.'
What about medicine?
As for the remainder, a world which places pain at its centre would be vigorous in its pursuit of assuaging it by finding ways of curing illness and disease. In this sense, anarcho-primitivism is very concerned with medicine. However, the alienating high-tech, pharmaceutical-centred form of medicine practised in the West is not the only form of medicine possible. The question of what medicine might consist of in an anarcho-primitivist future depends, as in the Fifth Estate comment on technology above, on what is possible and what people desire, without compromising the lifeways of free individuals in ecologically-centred free communities. As on all other questions, there is no dogmatic answer to this issue.
What about population?
A controversial issue, largely because there isn't a consensus among anarcho-primitivists on this topic. Some people argue that population reduction wouldn't be necessary; others argue that it would on ecological grounds and/or to sustain the kind of lifeways envisaged by anarcho-primitivists. George Bradford, in How Deep is Deep Ecology?, argues that women's control over reproduction would lead to a fall in population rate. The personal view of the present writer is that population would need to be reduced, but this would occur through natural wastage - i.e., when people died, not all of them would be replaced, and thus the overall population rate would fall and eventually stabilise. Anarchists have long argued that in a free world, social, economic and psychological pressures toward excessive reproduction would be removed. There would just be too many other interesting things going on to engage people's time! Feminists have argued that women, freed of gender constraints and the family structure, would not be defined by their reproductive capacities as in patriarchal societies, and this would result in lower population levels too. So population would be likely to fall, willy-nilly. After all, as Perlman makes plain, population growth is purely a product of civilization: 'a steady increase in human numbers [is] as persistent as the Leviathan itself. This phenomenon seems to exist only among Leviathanized human beings. Animals as well as human communities in the state of nature do not proliferate their own kind to the point of pushing all others off the field.' So there's really no reason to suppose that human population shouldn't stabilise once Leviathanic social relations are abolished and communitarian harmony is restored.
Ignore the weird fantasies spread by some commentators hostile to anarcho-primitivism who suggest that the population levels envisaged by anarcho-primitivists would have to be achieved by mass die-offs or nazi-style death camps. These are just smear tactics. The commitment of anarcho-primitivists to the abolition of all power relations, including the State with all its administrative and military apparatus, and any kind of party or organization, means that such orchestrated slaughter remains an impossibility as well as just plain horrendous.
How might an anarcho-primitivist future be brought about?
The sixty-four thousand dollar question! (to use a thoroughly suspect metaphor!) There are no hard-and-fast rules here, no blueprint. The glib answer - seen by some as a cop-out - is that forms of struggle emerge in the course of insurgency. This is true, but not necessarily very helpful! The fact is that anarcho-primitivism is not a power-seeking ideology. It doesn't seek to capture the State, take over factories, win converts, create political organizations, or order people about. Instead, it wants people to become free individuals living in free communities which are interdependent with one another and with the biosphere they inhabit. It wants, then, a total transformation, a transformation of identity, ways of life, ways of being, and ways of communicating. This means that the tried and tested means of power-seeking ideologies just aren't relevant to the anarcho-primitivist project, which seeks to abolish all forms of power. So new forms of action and being, forms appropriate to and commensurate with the anarcho-primitivist project, need to be developed. This is an ongoing process and so there's no easy answer to the question: What is to be done?
At present, many agree that communities of resistance are an important element in the anarcho-primitivist project. The word 'community' is bandied about these days in all kinds of absurd ways (e.g., the business community), precisely because most genuine communities have been destroyed by Capital and the State. Some think that if traditional communities, frequently sources of resistance to power, have been destroyed, then the creation of communities of resistance - communities formed by individuals with resistance as their common focus - are a way to recreate bases for action. An old anarchist idea is that the new world must be created within the shell of the old. This means that when civilization collapses - through its own volition, through our efforts, or a combination of the two - there will be an alternative waiting to take its place. This is really necessary as, in the absence of positive alternatives, the social disruption caused by collapse could easily create the psychological insecurity and social vacuum in which fascism and other totalitarian dictatorships could flourish. For the present writer, this means that anarcho-primitivists need to develop communities of resistance - microcosms (as much as they can be) of the future to come - both in cities and outside. These need to act as bases for action (particularly direct action), but also as sites for the creation of new ways of thinking, behaving, communicating, being, and so on, as well as new sets of ethics - in short, a whole new liberatory culture. They need to become places where people can discover their true desires and pleasures, and through the good old anarchist idea of the exemplary deed, show others by example that alternative ways of life are possible.
However, there are many other possibilities that need exploring. The kind of world envisaged by anarcho-primitivism is one unprecedented in human experience in terms of the degree and types of freedom anticipated ... so there can't be any limits on the forms of resistance and insurgency that might develop. The kind of vast transformations envisaged will need all kinds of innovative thought and activity.
How can I find out more about anarcho-primitivism?
The Primitivist Network (PO Box 252, Ampthill, Beds MK45 2QZ) can provide you with a reading list. Check out copies of the British paper Green Anarchist and the US zines Anarchy: A Journal of Desire Armed and Fifth Estate. Read Fredy Perlman's Against His-story, Against Leviathan! (Detroit: Black & Red, 1983), the most important anarcho-primitivist text, and John Zerzan's Elements of Refusal (Seattle: Left Bank, 1988) and Future Primitive (New York: Autonomedia, 1994).
How do I get involved in anarcho-primitivism?
One way is to contact the Primitivist Network. If you send two 1st class postage stamps, you will receive a copy of the PN contact list and be entered on it yourself. This will put you in contact with other anarcho-primitivists. Some people involved in Earth First! also see themselves as anarcho-primitivists, and they are worth seeking out too.
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Marcuse: O home unidimensional (prefácio à ediçom francesa de 1967)
Analisei neste libro algunhas tendencias do capitalismo americano que conducen a unha “sociedade pechada”, pechada porque disciplina e integra todas as dimensións da existencia, privada ou pública. Dous resultados desta sociedade son de particular importancia: a asimilación das forzas e dos intereses de oposición nun sistema ao que se opoñían nas etapas anteriores do capitalismo, e a administración e a mobilización metódicas dos instintos humanos, os que fai así socialmente manexables e utilizables a elementos explosivos e “anti-sociais” da inconsciente. O poder do negativo amplamente incontrolado nos estados anteriores de desenvolvemento da sociedade, é dominado e convértese nun factor de cohesión e de afirmación. Os individuos e as clases reproducen o represión sufrida mellor que en ningunha época anterior, pois o proceso de integración ten lugar, no esencial, sen un terror aberto: a democracia consolida a dominación máis firmemente que o absolutismo, e liberdade administrada e represión instintiva chegan a ser as fontes renovadas sen cesar da productividade. Sobre semellante base a productividade convértese en destrución, destrución que o sistema practica “para o exterior”, a escala do planeta. Á destrución desmesurada do Vietnam, do home e da natureza, do hábitat e da nutrición, corresponden a dilapidación lucrativa das materias primas, dos materiais e forzas de traballo, a polución, igualmente lucrativa, da atmosfera e da auga na rica metrópole do capitalismo. A brutalidade do neo-socialismo ten a súa contrapartida na brutalidade metropolitana: na grosaría en autoestradas e estadios, na violencia da palabra e a imaxe, na impudicia da política, que deixou moi atrás a linguaxe orwelliana, maltratando e incluso asasinando impunemente os que se defenden... O tópico sobre a “trivialidade do mal” revelouse como carente de sentido: o mal móstrase na desnudez da súa monstruosidade como contradición total á esencia da palabra e da acción humanas.CONTINUAR LENDO...
A sociedade pechada sobre o interior ábrese para o exterior mediante a expansión económica, política e militar. É máis ou menos unha cuestión semántica saber se esta expansión é do “imperialismo” ou non. Tamén alí é a totalidade quen está en movemento: nesta totalidade apenas é posible xa a distinción conceptual entre os negocios e a política, o beneficio e o prestixio, as necesidades e a publicidade. Expórtase un “modo de vida” ou este expórtase a si mesmo na dinámica da totalidade. Co capital, os ordenadores e o saber-vivir, chegan os restantes “valores” relacións libidinosas coa mercancía, cos artefactos motorizados agresivos, coa estética falsa do supermercado.
O que é falso non é o materialismo desta forma de vida, senón a falta de liberdade e o represión que encobre: reificación total no fetichismo total da mercancía. Faise tanto máis difícil traspasar esta forma de vida en canto que a satisfacción aumenta en función da masa de mercancías. A satisfacción instintiva no sistema da non-liberdade axuda ao sistema a perpetuarse. Esta é a función social do nivel de vida crecente nas formas racionalizadas e interiorizadas da dominación.
A mellor satisfacción das necesidades é certamente o contido e o fin de toda liberación, pero, ao progresar para este fin, a mesma liberdade debe chegar a ser unha necesidade instintiva e, en canto tal, debe mediatizar as demais necesidades, tanto as necesidades mediatizadas como as necesidades inmediatas.
É preciso suprimir o carácter ideolóxico e poeirento desta reivindicación: a liberación comeza coa necesidade non sublimada, alí onde é primeiro reprimida.
Neste sentido, é libidinal: Eros en canto “instinto de vida”,(Freud), contra-forza primitiva oposta á enerxía instintiva agresiva e destrutiva e a seu activación social. É do instinto de liberdade non sublimado de onde xurden as raíces da esixencia dunha liberdade política e social; esixencias dunha forma de vida na que incluso a agresión e a destrución sublimadas estivesen ao servizo do Eros, é dicir, da construción dun mundo pacificado. Séculos de represión instintiva recubriron este elemento político de Eros: a concentración da enerxía erótica na sensualidade xenital impide a transcendencia do Eros para outras “zonas” do corpo e para o seu medio ambiente, impide a súa forza revolucionaria e creadora. Alí onde hoxe se desprega o libido como tal forza, ten que servir ao proceso de produción agresivo e ás súas consecuencias, integrándose no valor de troco. En todas partes reina a agresión da loita pola existencia: a escala individual, nacional, internacional, esta agresión determina o sistema das necesidades.
Por esta razón, é dunha importancia que sobrepasa de lonxe os efectos inmediatos, que a oposición da mocidade contra a “sociedade opulenta” reúna rebelión instintiva e rebelión política. A loita contra o sistema, que non é levada por ningún movemento de masas, que non é impulsada por ningunha organización efectiva, que non é guiada por ningunha teoría positiva, gaña con esta ligazón unha dimensión profunda que tal vez compensará un día o carácter difuso e a debilidade numérica desta oposición. O que se busca aquí –a súa elaboración conceptual só está no estadio dunha lenta xestación– non é simplemente unha sociedade fundada sobre outras relacións de produción (aínda que semellante transformación da base permaneza como unha condición necesaria da liberación): trátase dunha sociedade na cal as novas relacións de produción, e a productividade desenvolvida a partir das mesmas, sexan organizadas polos homes cuxas necesidades e mecas instintivas sexan a “negación determinada” dos que reinan na sociedade represiva; así, as necesidades non sublimadas, cualitativamente diferentes, darán a base biolóxica sobre a cal poderán desenvolverse libremente as necesidades sublimadas. A diferenza cualitativa manifestaríase na transcendencia política da enerxía erótica, e a forma social desta transcendencia sería a cooperación e a solidariedade no establecemento dun mundo natural e social que, ao destruír a dominación e a agresión represiva, colocaríase baixo o principio de realidade da paz; soamente con el pode a vida chegar a ser o seu propio fin, é dicir, chegar a ser felicidade. Este principio de realidade liberaría tamén a base biolóxica dos valores estéticos, pois a beleza, a serenidade, o descanso, a harmonía, son necesidades orgánicas do home cuxa represión e administración mutilan o organismo e activan a agresión. Os valores estéticos son igualmente, en canto receptividade da sensibilidade, negación determinada dos valores dominantes: negación do heroísmo, da forza provocadora, da brutalidade da productividade acumuladora de traballo, da violación comercial da natureza.
As conquistas da ciencia e da técnica fixeron teórica e socialmente posible a contención das necesidades afirmativas, agresivas. Contra esta posibilidade, foi o sistema en canto totalidade o que se mobilizou. Na oposición da mocidade, rebelión a un tempo instintiva e política, é aprehendida a posibilidade de liberación; pero fáltalle, para que se realice, poder material. Este non pertence tampouco á clase obreira que, na sociedade opulenta está ligada ao sistema das necesidades, pero non á súa negación (1). Os seus herdeiros históricos serían máis ben os estratos que, de maneira crecente, ocupan posicións de control no proceso social de produción e que poden detelo con maior facilidade: os sabios, os técnicos, os especialistas, os enxeñeiros, etc. Pero non son máis que herdeiros moi potenciais e moi teóricos, posto que ao mesmo tempo son os beneficiarios ben remunerados e satisfeitos do sistema, a modificación da súa mentalidade e constituiría un milagre de discernimento e lucidez.
Significa esta situación que o sistema do capitalismo no seu conxunto estea inmunizado contra toda mudanza? Reprochóuseme que nego a existencia das contradicións internas á estructura do capitalismo. Creo que o meu libro mostra con bastante claridade que estas contradicións aínda existen e que incluso son máis fortes, máis rechamantes que nos estadios anteriores do desenvolvemento. Asimesmo fixéronse totais. A súa forma máis xeral, a contradición entre o carácter social das forzas produtivas e a súa organización particular, entre a riqueza social e o seu emprego destrutivo, determina a esta sociedade en todas as dimensións e en todos os aspectos da súa política. Ningunha contradición social, empero, nin sequera a máis forte, estoupa “por si mesma”: a teoría debe poder mostrar e avaliar as forzas e os factores obxectivos. Tentei mostrar no meu libro que a neutralización ou a absorción das forzas realizadoras –que se operan nos sectores tecnicamente máis desenvolvidos do capitalismo–, non é soamente un fenómeno superficial, senón que nace do mesmo proceso de produción, sen modificar a súa estructura fundamental capitalista. A sociedade existente logrará conter ás forzas revolucionarias mentres consiga producir cada vez máis “manteiga e canóns” e a burlar á poboación coa axuda de novas formas de control total.
Esta política de represión global, de que depende a capacidade de rendemento do sistema, é posta a proba cada día máis duramente. En todo caso, a guerra en Vietnam tomou tales proporciones que poden facer dela un fito na evolución do sistema capitalista. Por dúas razóns. Primeira, o exceso de brutalidade, de agresión, de mentira ao que ten que recorrer o sistema para asegurar a súa estabilidade acadou tal medida que a positividade do existente atopa aquí o seu límite: o sistema no seu conxunto revélase ser este “crime contra a humanidade” que está localizado particularmente no Vietnam. Segunda, a aparición do límite é visible así mesmo no feito de que, por vez primeira na súa historia, o sistema atopa forzas resistentes que non son “da súa propia natureza”; estas forzas non lle libran un combate competitivo pola explotación no seu propio terreo, senón que significan, na súa mesma existencia, nas súas necesidades vitais, a negación determinada ao sistema enfrontándose a el e combaténdoo en canto totalidade. É aquí onde reside a coincidencia dos factores obxectivos e dos factores subxectivos da mudanza de sentido. E, como non hai xa para o sistema capitalista un verdadeiro “exterior” –de xeito que incluso o mundo comunista determinante e contra-determinante atópase comprendido na economía e a política capitalistas–, a resistencia do F.N.L. é, en efecto, a contradición interna que estoupa. O feito de que os homes máis pobres da terra, apenas armados, os máis atrasados tecnicamente, teñan en xaque –e isto durante anos– a máquina de destrución máis avanzada tecnicamente, máis eficaz, máis destrutiva de todos os tempos, se alza como un signo histórico-mundial, incluso se estes homes son finalmente derrotados, o que é verosímil, posto que o sistema de represión da “sociedade opulenta” sabe mellor que os seus críticos liberais o que está en xogo e está disposto a poñer en acción todas as súas forzas. Estes “condenados da terra”, as xentes máis febles sobre as que gravita con todo o seu peso o sistema existen en todas partes; son pobos enteiros, non teñen de feito outra cousa que perder que a súa vida ao sublevarse contra o sistema dominante. Sen embargo, sós non poden liberarse; contra todo romanticismo, o materialismo histórico debe insistir sobre o papel decisivo do poder material. Na situación actual, nin a Unión Soviética, nin a China popular parecen desexar ou ser capaces de exercer contra-presión verdadeira: non o xogo aterrador coa “solución final” da guerra atómica, senón, no caso da Unión Soviética, aquela presión política e diplomática que puidese polo menos frear a agresión que se reproduce a escala ampliada. Esta contra-política serviría tamén para activar a oposición na Europa occidental. Hai un verdadeiro movemento obreiro, en Francia e en Italia, que podería aínda ser mobilizado porque non está aínda integrado no sistema, encuadrado. Mentres isto non ten lugar, a oposición nos Estados Unidos, con todas as súas debilidades e a súa falta de orientación técnica, permanece, tal vez, como a única ponte precaria entre o presente e o seu posible futuro. A probabilidade do futuro depende de que se deteña a expansión produtiva e lucrativa (política, económica, militarmente); a seguir, poderían estoupar as contradicións aínda neutralizadas no proceso de produción do capitalismo: en particular, a contradición entre a necesidade económica dunha automatización progresiva que implica o paro tecnolóxico, e a necesidade capitalista da dilapidación e da destrución sistemáticas das forzas parasitarias, que implica o crecemento do traballo parasitario.
A expansión que salva ao sistema, ou polo menos fortaléceo, non pode ser detida máis que por medio dun contra-movemento internacional e global. Por todas partes maniféstase a interpretación global: a solidariedade permanece como o factor decisivo, tamén aquí Marx ten razón. E é esta solidariedade a que foi crebada pola productividade integradora do capitalismo e polo poder absoluto da súa máquina de propaganda, de publicidade e de administración. É preciso espertar e organizar a solidariedade en canto que necesidade biolóxica de manterse unidos contra a brutalidade e a explotación inhumanas. Esta é a tarefa. Comeza coa educación da conciencia, o saber, a observación e o sentimento que aprehende o que acontece: o crime contra a humanidade. A xustificación do traballo intelectual reside nesta tarefa, e hoxe o traballo intelectual necesita ser xustificado.
Herbert Marcuse


