Vendo estes dias a luita dos mineiros asturianos, lembra-se um desta cançom de Def Con Dos de hai vinte aninhos já, umha velha favorita... e como leitura para acompanhar, algo mais razoado: umha carta dum mineiro asturiano tirada de aqui:
sábado, 16 de junho de 2012
Mineros Locos - Armas pal pueblo!
Vendo estes dias a luita dos mineiros asturianos, lembra-se um desta cançom de Def Con Dos de hai vinte aninhos já, umha velha favorita... e como leitura para acompanhar, algo mais razoado: umha carta dum mineiro asturiano tirada de aqui:
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Energia 100% renovável? A utopia cada vez mais perto
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Manifesto para uma esquerda livre
segunda-feira, 19 de março de 2012
A injecçom da banca: a próxima cançom do verão?
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Adeus BNG! É tempo de construir

Já foi...
O dia seguinte à XIII Assembléia Nacional dei-me de baixa como militante do BNG. A paciência nunca foi a melhor das minhas virtudes, e já nom tinha vontade de seguir enleado em dialéticas internas, que nada aportam (nem “clarificam”) e que tam só servem para distrair a atençom da militância. Na dinâmica na que leva tempo imerso o BNG, o verdadeiramente importante (propor-lhe à cidadania galega uma alternativa ao horror neoliberal-espanholeiro dominante) adia-se continuamente ante o urgente (a necessidade fatigante e absorvente de marcar território internamente). O BNG já nom lhe oferece ao povo galego um projeto de país concreto, um plano de acçom com objetivos realizáveis a curto, meio e longo prazo. No seu lugar, propom reconcentrar-se num discurso de "mais nacionalismo", válido talvez para o consumo interno, mas que nada oferece aos segmentos da sociedade que ano trás ano se fôrom desencantando com o BNG. No percorrido desde os quase 400.000 votos que colheitava hai 15 anos à metade que tem agora foi-se perdendo a conexom com muitas gentes que viram algo diferente no BNG: uma força “com jeito”, uma esquerda audaz com os pés na terra, nom sectária, aberta aos segmentos mais dinâmicos e críticos da sociedade. Uma boa parte da cidadania progressista galega perdeu a confiança no BNG, entre outros motivos (nom todos endógenos, certo) porque este leva tempo empenhado em que assi seja. Velaí o desprezo cara as novas formas de descontento popular (de Galiza Nom se Vende ao 15-M), que pode ser considerado um sintoma ou uma causa, ao gosto do consumidor. Nom falo já de outras circunstâncias relacionadas com o deterioro da convivência interna, nom porque nom tenham importância nem muito menos, senom por nom botar mais lenha ao lume. Nom che estamos no momento de reviver rancores, por muito que seja uma atividade à que se adicam gostosos tantos internautas. Enfim, sei que as razões apontadas podem parecer um tanto etéreas, e que a situaçom é difícil de entender desde fora... poderia estender-me mais, mas a análise do passado nom é o mais importante agora. O fundamental resume-se em que o BNG é a dia de hoje uma ferramenta infrautilizada sem remédio à vista, e que portanto é preciso atuar fora del.
A que andamos:
Pois já estamos a pôr os alicerces dum novo projeto que procure uma saída a este enguedelho, e neste senso a assembléia do Encontro Irmandinho do passado 12 de Fevereiro representou um ilusionante ponto de inflexom. Foi-che o que se di um evento singular, onde se percebeu claramente como mudava o ambiente segundo passava o tempo. Ao chegar palpava-se uma incerteza generalizada, ninguém as tinha todas consigo. Mas fôrom sucedendo-se as intervenções, umas trinta, e vimos que todas (com uma única exceçom) iam na mesma direçom, deixar o BNG e principiar um projeto novo. O mais importante, com todo, nom foi a unanimidade das intervenções: nom era tanto o contido, senom o tom. Gerou-se uma onda de ilusom, de pensar em positivo depois de muito tempo, nas possibilidades que se abrem em lugar de nos males menores. Entre os centos de persoas que assistimos (as cifras variam segundo as fontes, entre 500 e 800; seguramente mais perto da primeira, mas em todo caso muita gente) o ambiente virou em otimismo ao longo da tarde. E assi, quando chegou o momento de decidir, nom houvo nem sequera que votar, já que aprovamos por aclamaçom fretarmos um novo barco e sair a navegar por novos rumos. E nessas andamos agora, no começo desse processo, que é logicamente a construçom duma nova nave.
Cara onde tirar?
O fracasso do modelo frentista no BNG dá uma primeira chave: melhor criar UM PARTIDO que uma frente. Um partido que, evidentemente, será de ESQUERDA, uma esquerda plural onde tenham cabida -visto os agentes implicados- desde a socialdemocracia clássica até o comunismo. Logicamente terá caráter nacional galego, chame-se soberanista se se quer. O modelo dum partido com ideologia definida mas plural nom é nenguma utopia; ao contrário, é o que seguem alguns dos exemplos mais válidos da esquerda atual, como a alemã Die Linke, o brasileiro Partido dos Trabalhadores, ou mais perto de nós o Bloco de Esquerda português. Assi pois, que gentes poderiamos conformar este novo sujeito? É claro que, como mínimo, o Encontro Irmandinho, Esquerda Nacionalista, e Ecogaleguistas, três forças que já estám, de iure ou de facto, fora do BNG. A maiores, toda a gente de Mais Galiza que decida dar o passo de deixar o BNG; nom creo que todos o fagam, mas si que vam ser muitos em qualquer caso. Nom tenho claro que este deva ser o projecto do PNG-PG, que na minha opiniom deveria tentar construir um polo de centro nacionalista à margem dos projetos atuais... mas vendo que o seu líder, o Xosé Mosquera, se identifica com o PT de Lula, nom tenho nada que objectar ;-) Por suposto, cumpre incorporar tamém a gente que deixou o BNG em diferentes momentos e agora nom tem adscriçom partidária; muitos já se achegárom, ou o estám a fazer. Tamém a gente do campo da autodenominada esquerda independentista, de forças como o Movimento pola Base, a Frente Popular Galega, a OLN, etc. Dentro deste último setor, é significativo que Causa Galiza decidisse começar conversas oficiais com o Encontro de cara a uma possível confluência. A fim de contas, uma das intervenções mais celebradas na assembléia do EI foi a de ‘Foz’. E, finalmente, nom me colhe dúvida de que, se finalmente somos quem de artelhar um projeto destas características, imo-nos topar mais cedo que tarde com muita gente sem experiência militante em nengum partido; gente com inquedanzas políticas, mas que até agora nom se achegara aos partidos que existiam no campo da esquerda ou o nacionalismo.
Haverá que ver em que fica todo, mas como versom atualizada do conto da leiteira, coido que nom está mal ;-)
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
A CIG potência a criaçom de cooperativas de trabalho associado como alternativa ao modelo capitalista

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Contra o paro, cooperativismo e inovaçom (outra volta, Mondragon)
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Orçamentos participativos em Sam Sadurninho

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Morreu o Isaac

domingo, 1 de janeiro de 2012
Luis Soto, entre Marx e Castelao
Vem de sair do prelo um livro do coiote -natural de Coia- Xurxo Martínez sobre a figura de Luís Soto, personalidade fulcral na esquerda galega do passado século. O próprio autor falou do tema numa entrevista reproduzida no seu blogue, e Daniel Salgado publicou um artigo ao respeito em El Pais, que se reproduz a seguir (traduçom própria). O professor conhecera a miséria em primeira persoa. A República ainda nom chegara. Era 1927. Na aldeia arraiana de Buscalque, entom concelho de Lóbios e hoje baixo as augas dum encoro, Luis Soto colidiu com a realidade da Galiza descalça. "Em Buscalque nunca me entrou na escola um neno calçado, nem é comum atopar com sapatos ou zocos uma persoa maior", relatou, meia década mais tarde, na revista Escola de Trabalho, "e tal é a sujeira e miséria que puidem observar e verificar que as mães com quatro ou cinco crianças nom sabiam lavar-se ou lavar as roupas dos seus filhos. Geralmente nom cozinham para preparar alimentos e fam o menu com pão e bacalhau ou toucinho cru, quando o tenhem."
Soto (A Bola, 1902 - Cidade do México, 1981) nunca se resignou a esta realidade – uma na que chegou a contar as enfermidades de sarampo, coqueluche, escabiose, tracoma, disenteria, caxumba, eczema e viruela. E contra a resignaçom participou da fundaçom do sindicalismo galego do ensino, enrolou-se no comunismo e tentou a síntese do marxismo e a questom nacional. Foi para o exílio, retornou ao seu país natal, militou na clandestinidade, formou partidos políticos, cindiu-se pola esquerda dos mesmos partidos que constituira e mesmo redigiu umas exuberantes memórias do século. Mas a sua figura apenas estava viva em memórias de excamaradas e notas a rodapé da história dos movimentos de emancipaçom com Galiza como sujeito histórico. Até que o investigador Xurxo Martinez González recompilou a história duma vida em Luis Soto. A xeira pola unidade galega (Xerais, 2011).
"A grande contribuçom de Soto foi o ser capaz de conceber a necessidade de estruturas, organizações e partidos de esquerda com Galiza como referência", considera, de entrada, Martínez " e o seu grande logro final, a fundaçom da Uniom do Povo Galego (UPG) em 1964. " Mas nom resultou, em absoluto, uma viage tranquila. El começara com ATEO, a Associaçom de Trabalhadores do Ensino de Ourense, em cujo seio operava quando o 14 de abril de 1931 caiu a monarquia de Alfonso XIII. Integrada na Federaçom de Trabalhadores do Ensino da UGT, e já em posições comunistas, Soto promoveu a criaçom da sua secçom galega.
Som esses os anos nos que, segundo as anotações do autor de A xeira pola unidade galega, brotam as primeiras exigências entre os militantes do Partido Comunista de Espanha de galeguizar l organizaçom. Exemplifica-o a anedota de Benigno Álvarez, comunista ourensão que optou a escano nas filas da Frente Popular de 1936 junto a Alexandre Bóveda, e que se negara a falar castelhano no IV congresso do PCE em Sevilla. "Falo o idioma das classes pobres de Galiza, o galego", espetou Álvarez à presidência. Resolvérom-o com um tradutor, camarada português. "Nom hai dúvida de que houvo um debate surgido arredor da criaçom duma federaçom galega do PCE ou do PC de Galiza", escreve Martínez Gónzález, "e aqui Luís Soto foi um dos seus mais firmes defensores".
Mas o 18 de julho do 36 todo escacha em dous. Soto foge de Vigo, passa a Portugal, de ali à França e depois zona republicana. Em Valencia reencontra-se com os nacionalistas. E com Castelao, cabeça de Solidariedade Galega Antifeixista e em cuja secretaria viajaria a Cuba e aos Estados Unidos. De ali ao exílio mexicano e a participar no espectro do Governo galego no exílio, o Conselho de Galiza. A mediados dos sessenta, de novo o seu país. Com os rebeldes do Conselho da Mocidade, entre outros Méndez Ferrín, Celso Emilio Ferreiro ou Luís González Blasco, Foz, organizam a UPG. O ideal, um partido comunista e patriótico, o que ardia na cabeça de Soto desde o seu tempo como pedagogo polo rural ourensão. Doze anos depois estava fora.
"El conta-o ao jornalista Xavier Navaza na revista Teima", lembra Xurxo Martínez, "na que acusa à direçom da UPG de direitista, estalinista e pequeno-burguesa". UPG-Linha proletária e depois o Partido Galego do Proletariado (PGP), já com o regime autonômico em marcha mas como ronsel dum período político anterior, acolheriam os seus derradeiros esforços militantes. E o esquecimento.
"Já dixem que se, na crise de 1976, Soto ficasse na UPG, este livro já estaria escrito", sinala Martínez, "nom se pode negar o seu trabalho tam importante nos terrenos sindical, político, associativo e cultural". O labor de Xurxo Martínez, que nom agacha a sua "complicidade e simpatia" polo personage, tecida a base de documentos, entrevistas, hemeroteca, e apoiada em amigos do próprio Soto -Xosé González, Ferrín, García Crego- contribui a reparar, postumamente, as feridas de aquel velho frentepopulista.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
A odisséia de Beiras num país náufrago
Deixarán entrar a Xosé Manuel Beiras na homenaxe a Xosé Manuel Beiras?
A broma ven a conto por un sucedido que narrou Vladimir Nabokov, e que trataba dunha homenaxe a un poeta ruso na súa vila natal, despois dun período de ausencia en que o deron por desaparecido. Cando ía comezar o acto, ocorreu un incidente na porta do teatro. Presentárase un barbas que pretendía entrar sen a correspondente invitación, coa desculpa de que el era o poeta homenaxeado. Mais os porteiros, cumprindo o estrito protocolo, entendían que non era esa razón dabondo para o presunto desaparecido ocupar unha cadeira.
Beiras non terá ese problema, esperemos, cando se presente mañá, no auditorio de Compostela, a unha ben choída homenaxe, na que se presentará o libro de ensaios Á beira de Beiras (Editorial Galaxia), unha reflexión poliédrica sobre Galicia coa participación de 35 autores, que tecen as súas pescudas a partir daquela lanzadeira de tear que foi O atraso económico de Galicia, a piques de cumprir o 40º aniversario. Malia o título, O atraso foi unha revolución. Contribuíu a unha revolución da ollada, alén da economía. Nas clases de alfabetización de adultos, a clave é aprender a escribir e ler o propio nome. A partir de aí, en feliz expresión oída en Moaña á mestra Elisa, a xente "rompe a ler". Pois O atraso foi un deses libros estrelampos en que a xente "rompe a ver". Galicia estaba no atraso, mais non era pobre. Vivía unha malversación histórica.
Beiras podía ficar aí, como un campión da Estrutura Económica. Admirado polos seus mestres, xente moi ilustre, construíuse con el a figura dun príncipe dos contos infantís. Chamábano así, era "o noso principiño". Un día bicaría a bela terra e Galicia espertaría. Naquel tempo de emigración, a mocidade marchaba, mais nos herbais galegos aclimatábanse as vacas frisonas, as suízas, as canadenses. Velaí o absurdo paradoxo. Estraño cosmopolitismo que exportaba xente e importaba vacas. Por que Galicia non podía ser Frisia? Por que non ter algo do benestar dos cantóns que liberaron osirmandiños de Guillermo Tell? E así. Había unha Europa vitamínica, alimentada, instruída, liberal (no mellor sentido da palabra, é dicir, sexual). O socialismo nórdico, por exemplo, era o máis próximo a un paraíso posíbel. E Beiras era o noso príncipe socialista! Un príncipe que pisaba a terra, que era quen de pasar da lama da corredoira á partitura de Sibelius, que explicaba a Keynes na facultade de Económicas ao tempo que traducía a Giradoux ou Camus.
Houbo un intre en Compostela, cando se cruzaron os vellos superviventes republicanos e galeguistas e a mocidade antifascista e vangardista, en que talvez se podía dicir, na súa escala, o que Aron dicía da Normale parisina: "Nunca me encontrei con tanta xente intelixente nun espazo tan pequeno".
Mais o príncipe bicou a terra e Galicia non espertou. Quero dicir, espertar espertou, mais foise con outros, mesmo con descoñecidos, e non con el. Iso é o que teñen os contos infantís, que son os máis terríbeis. Pensen en Capuchiño Vermello, en Brancaneves, enHansel e Gretel ou Os músicos de Bremen.
Mais a historia non rematou aí, coa frustración. O noso príncipiño podía subir ao estribo do poder e incorporarse ao que Cornelius Castoriadis chamou "oligarquías liberais", e só con dicir o abracadabra: "Amén e Okey!". Mais aforcou dunha póla de figueira o maletín atado da gravata. Beiras pasou ser un Odiseo, un náufrago. Coñeceu as bocas do inferno e as tempestades. E a viaxe que viviu foi mesmiño a de Ulises: o proceso laborioso da reconstrución da memoria. Recompoñer as cachizas das intermitencias persoais e as lembranzas colectivas, mesmo os anacos tabú, os recantos prohibidos. Cando volveu, case ninguén o recoñecía. O can, o porqueiro... E algo foi pasando polo país adiante. A voz era a mesma de antes, mais tiña algo novo: traía vento. E dicía o que René Char: "Berremos ao vento que nos leva que somos nós quen o levamos". Despois do 28 de xuño de 1936, cando se plebiscitou o Estatuto de Autonomía, o "proxecto común" co que Beiras anovou o BNG déronlle os mellores resultados electorais da historia ao nacionalismo democrático galego. Era maioría a mocidade, rural e urbana. Ano de 1997. Foi a segunda forza, con 18 deputados, e o 25% dos votos. A xeira tamén en que Camilo Nogueira levará como nunca se levou a voz de Galicia a Europa.
Ademais das curvas do galego, a linguaxe de Beiras tiña, ten, o acento da esquerda transformadora. Non necesitaba explicalo. Que é o que pasou? Que síndrome autodestrutiva puido levar a semellante declive? Imaxinan a Beiras no Congreso dos Deputados ou a Nogueira no Senado? Coido que a voz de Galicia tería un eco e un prestixio de honoris causa. Sería un agasallo para o parlamentarismo hispano. E imaxinan unha homenaxe a Beiras na que falasen Touriño, Ferrín, Guerreiro, Paco Rodríguez, Aymerich et álii? Non, non é posíbel. Por que? Porque se impuxo o estilo de causa perduta. Todos a cantar o Nabucco de Verdi: "Oh mia patria sì bella e perduta!".
Teño un amigo que mantén que todo se debe á teoría dos caranguexos. En que consiste? Vai alguén pola praia cun caldeiro cheo de caranguexos, algúns están a piques de, como din en Camariñas, "meterse fóra". Outro que pasa por alí dille: "Vanche fuxir os caranguexos!". E o mariscador responde: "Non hai problema, que son galegos, e tiran os uns dos outros para abaixo". Non creo nesta fatalidade. En xeral, non creo nas fatalidades. Son unha máscara das responsabilidades.
Eu crer creo que é tempo, como diría a mestra Elisa, de "romper a ver".
Será interesante para iso oír a Beiras, se é que consegue entrar na súa homenaxe, a versión da segunda parte da Odisea galega.
E os náufragos que volvan ese día do "paraíso inquieto" do Incio, de homenaxear a Lois Pereiro, aínda teremos oportunidade de incorporármonos na noite coruñesa á expedición cívico-bohemia organizada por In Nave Civitas, en honor do pintor e "náufrago encantado" Urbano Lugrís, quen foi quen de unir por camiño submarino Percalinópolys e Xouba City (A Coruña e Vigo, en terminoloxía lugrisiana). Un punto central da convocatoria é o Palco da Música, cun acto creativo de Acción Urbano consistente en pintar paraugas, e percorrer a cidade como unha profundidade habitada, a incendiar de cores a noite e a chuvia. E pórse de xeonllos diante do mar, ese que sempre recomeza.
Xa o dixo Avelino de Corón e pregoa Xurxo Souto: "Está subindo a marea, ¡ti non quedes varado en seco!".
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
sábado, 26 de novembro de 2011
Entrevista com Ricardo García Zaldívar (ATTAC)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Jon Idigoras, 16 anos há
domingo, 30 de outubro de 2011
Islândia, o caminho nom tomado
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Artigo de Paul Krugman para o New York Times.
Os mercados financeiros estám a celebrar o acordo que emergiu de Bruxelas no início da manhã da última quinta-feira [27 de Outubro]. Realmente, tendo em conta o que poderia ter acontecido – um amargo fracasso para concordar em nada – que os líderes europeus tenham concordado em algo, por mais vagos que sejam os detalhes e por mais deficiente que o acordo poda resultar, é um avanço positivo.
Mas vale a pena examinar o quadro mais amplo, ou seja, o fracasso retumbante de umha doutrina econômica – umha doutrina que provocou danos enormes tanto à Europa como aos Estados Unidos.
A doutrina à que me refiro consiste na afirmaçom de que, após umha crise financeira, os bancos precisam ser resgatados, mas é a povoaçom em geral a que tem que pagar o preço. Assi, a crise provocada pola desregulaçom transforma-se num motivo para que haja um deslocamento ainda maior para a direita; um período de desemprego massivo, em vez de estimular a adoçom de medidas governamentais para criar empregos, transforma-se numha era de austeridade, na qual os gastos governamentais e os programas sociais som recortados drasticamente.
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Essa doutrina foi defendida com alegações de que nom havia outra alternativa – que tanto os resgates financeiros como os cortes de gastos eram necessários para satisfazer os mercados financeiros – e com a afirmaçom de que a austeridade fiscal na verdade criaria empregos. A ideia era que os cortes de gastos fariam que os consumidores e os empresários se sentissem mais confiados. E essa confiança supostamente estimularia gastos privados, o que compensaria de sobra os efeitos depressivos dos cortes governamentais.
Alguns economistas nom estavam convencidos. Um escéptico afirmava causticamente que as declarações sobre os efeitos expansivos da austeridade eram como acreditar na “fada da confiança”. O.K., vale, esse crítico era eu.
Mas, apesar disso, essa doutrina tem sido extremamente influente. A austeridade expansiva, em particular, tem sido defendida tanto polos republicanos do congresso dos Estados Unidos quanto polo Banco Central Europeu, que no ano passado rogou aos governos europeus – e nom só àqueles que enfrentavam problemas fiscais – que implementassem uma “consolidaçom fiscal”.
E, no ano passado, quando David Cameron chegou a primeiro-ministro do Reino Unido, instituiu imediatamente um programa de cortes de gastos, acreditando que isso na verdade estimularia a economia – uma decisom que foi recebida com elogios afetuosos por vários especialistas dos Estados Unidos.
Agora, porém, os resultados som visíveis, e o quadro nom é nada bonito. A Grécia foi empurrada pelas suas medidas de austeridade para um buraco econômico cada vez mais profundo – e esse buraco, e nom a falta de esforços por parte do governo grego, foi o motivo polo qual um relatório secreto enviado a líderes europeus concluiu na semana passada que o programa atualmente aplicado na Grécia é inviável. A economia britânica estancou-se polo impacto da austeridade, e a confiança de empresários e consumidores afundiu-se em lugar de disparar-se.
Talvez o feito mais revelador seja aquilo que atualmente é apresentando como umha história de êxito. Alguns meses atrás, vários analistas passaram a elogiar as façanhas da Letônia, que, após uma recessom terrível, conseguiu, nom obstante, reduzir o seu déficit orçamentário e convencer os mercados de que o país contava com bons fundamentos fiscais. O caso da Letônia foi, de feito, impressionante, mas o custo foi um índice de desemprego de 16% e umha economia que, ainda que esteja finalmente crescendo, ainda é um 18% menor do que era antes da crise.
Por isso, resgatar os bancos mentres se castiga aos trabalhadores nom constitui na verdade umha receita para prosperidade. Mas havia algumha alternativa? Bem, é por isso que eu estou na Islândia, participando numha conferência sobre o país que fixo algo diferente.
Aqueles que tenhem lido notícias sobre a crise financeira, ou assistido a filmes como o excelente “Inside Job”, sabem que a Islândia deveria ser considerada a suprema história de desastre econômico: os seus banqueiros descontrolados sobrecarregaram o país com dívidas enormes e aparentemente deixaram a naçom numha situaçom irremediável.
Mas algo curioso aconteceu no caminho ao apocalipse financeiro: o próprio desespero da Islândia fixo que um comportamento convencional se tornasse impossível, o que lhe deu ao país liberdade para romper com as regras. Quando todo o mundo resgatou os bancos e obrigou à cidadania a pagar o preço, a Islândia deixou os bancos quebrarem e, de feito, ampliou a sua rede de segurança social. Quando todos os demais estavam obsessionados com acalmar os investidores internacionais, a Islândia impuxo controis temporários aos movimentos de capital a fim de obter espaço de manobra.
E como lhe está indo ao país? A Islândia nom evitou um grande dano econômico nem um descenso significativo do nível de vida. Mas conseguiu limitar tanto o aumento do desemprego como o sofrimento da parcela mais vulnerável da povoaçom; a rede de segurança social sobreviveu intacta, assi como a decência básica da sua sociedade. “As cousas poderiam ter sido bem piores” pode nom ser o mais animador dos slogans, mas quando todo mundo esperava um desastre total, a frase equivale a um triunfo de política econômica.
E hai nisso umha liçom para todos nós: o sofrimento polo que tantos dos nossos cidadãos estám a passar é desnecessário. Se esta época se caracteriza por um sofrimento incrível e um endurecimento da nossa sociedade, foi por eleiçom. Nom tinha, nem tem, por que ser assi.
sábado, 22 de outubro de 2011
Dan Hind: o que é o dinheiro?
Os protestos contra as instituições financeiras mundiais estám a crescer, mas sabe a maioria das pessoas sequer de onde vem o dinheiro?Passamos muito tempo pensando no dinheiro, de uma forma ou de outra. Pensamos em como consegui-lo, como mantê-lo seguro e como gastá-lo. Quando nom estamos dormindo, hai bastantes probabilidades de que estejamos prestando atençom ao dinheiro. Mas enquanto o dinheiro nunca está longe dos nossos pensamentos, hai algo curioso sobre a nossa relaçom com el. Apesar de todo o que o usamos ao longo do dia, a maioria de nós nom sabe o que é.
Quero dizer, sabemos o que pode fazer. Sabemos quanto temos, mais ou menos. Sabemos o que custam as cousas e por isso temos alguma idéia do que podemos gastar num momento dado. Quando começamos a pensar sobre o futuro, quanto tempo viviremos e quanto dinheiro imos precisar, tendemos a querer pensar noutra cousa. Mas o dinheiro em si escapa aos nossos cálculos. Maiormente nom pensamos em perguntar de onde vem, nem o que é em si mesmo. As vantages de ter dinheiro e as consequências de nom o ter som tam grandes que raramente paramos a pensar no dinheiro como tal.
Hoje é um dia tam bom como qualquer outro para explicar de onde vem o dinheiro e porquê importa. Na quinta-feira, o Banco da Inglaterra anunciou mais 75 bilhões de libras de "quantitative easing". Se você nom sabe o que isso significa ou vagamente pensa que tem algo que ver com "imprimir dinheiro", provavelmente é porque você nom sabe o que é o dinheiro. Todo será revelado no que segue. OK. Está você preparado para saber de onde vem o dinheiro, para conhecer a verdade zelosamente gardada desde o alvorecer do tempo registrado?
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O dinheiro deve a sua existência aos bancos
Nom hai nada complicado acontecendo nos bastidores. O grande segredo é que nom hai realmente muito segredo. Ainda assi, a verdade sobre o dinheiro elude-nos a maioria do tempo.
O economista e ironista JK Galbraith escreveu certa vez que "o processo polo qual os bancos criam dinheiro é tam simple que repele à mente. Quando algo tam importante está implicado, um profundo mistério parece mais decente". Quando se nos apresenta a verdade sem adornos, despojada de toda parvada tecnocrata, quase nom a podemos acreditar. Parece absurdo que o dinheiro deva ter origes tam humildes, como se estivesse debaixo da sua dignidade começar a sua vida quando um banqueiro pulsa uma tecla.
A verdade sobre a criaçom de moeda é um pouco como o fim de O Mago de Oz, quando se constata que nom hai um mago que todo o sabe, apenas um velho atrás de uma cortina, fazendo as cousas sobre a marcha. É mui parecido a O Mago de Oz, de feito. O livro de Frank Baum é uma parábola sobre a reforma monetária, escrito no auge da luita nos Estados Unidos entre os arquitetos das finanças corporativas e aqueles que queriam que a oferta de dinheiro fosse controlada polo público. A adaptaçom cinematográfica de 1939 trouxo a história a um novo e vasto público, mas nalgum momento do processo perdeu-se o argumento original do autor. Eu sei, que tal cousa poderia acontecer em Hollywood, de entre todos os lugares possíveis.
Assi que, os bancos criam dinheiro por meio do ato de emprestá-lo. Nom tenhem que limitar-se a emprestar o dinheiro que tenhem em depósito. Na verdade, eles podem acabar emprestando múltiplos enormes do dinheiro que possuem na reserva. Quando autorizam um empréstimo ou estendem o crédito na forma de um crédito a descoberto, o dinheiro é conjurado da nada. Os bancos, em seguida, recebem juros sobre o empréstimo. O interesse é a forma em que os bancos fam os seus lucros, assi que querem emprestar tanto como seja possível polo maior tempo possível, mesmo se o empréstimo é insustentável no longo prazo. Isto é ao que Chuck Prince queria chegar quando dixo em julho de 2007 que "quando a música pare, em termos de liquidez, as cousas serám complicadas. Mas mentres a música esteja soando, hai que sair a dançar. Nós ainda estamos dançando".
Como apontam os autores de “De onde vem o dinheiro?”, uma guia prática sobre a criaçom de dinheiro publicada pola New Economics Foundation, os bancos preferem emprestar dinheiro contra garantias existentes. Como resultado, tenhem um historial bastante ruim quando se trata de apoiar start-ups e pequenas e médias empresas que queiram expandir ou inovar. Mas som brilhantes em inflar burbulhas em imóveis comerciais e residenciais. Talvez conscientes de que o dinheiro que emprestam tem uma qualidade imaterial, os banqueiros anseiam a solidez dos tijolos e a argamassa.
Conversas inteligentes, nom tumultos
Dixem anteriormente que o Banco da Inglaterra anunciou uma nova rolda de flexibilizaçom quantitativa (quantitative easing). A “quantitative easing” (QE) ocorre quando os bancos centrais criam dinheiro novo e usam-no para comprar ativos com juros. Até agora a QE na Grande Bretanha tem sido usada para comprar títulos do governo e corporativos. Isto tem mantido os preços dos ativos e aliviado a pressom sobre os outros bancos. Os bancos cambiam ativos de valor incerto por dinheiro respaldado por crédito do governo.
Se você acha que é um pouco estranho que uma instituiçom nacional, o Banco da Inglaterra, compre títulos emitidos por outra, o Tesouro, está no certo, é-o. O governo nom quer que você pense muito nisso, por se começamos a pensar que eles, como o mago maravilhoso, estám fazendo as cousas sobre a marcha e esperando que saiam bem.
Ninguém está a afirmar que as finanças e a economia nom sejam complicadas. Mas isso nom nos deve cegar ao feito de que ambas descansam numa simplicidade cardeal - o poder de criaçom de dinheiro das instituições bancárias. Os que se lucram com esta simplicidade subjacente nunca tivérom grandes desejos de ilustrar ao público. O seu control sobre a oferta de dinheiro nunca foi objecto de debate democrático. É duvidoso que tal control sobrevivesse a qualquer debate desse tipo. Mentres os manifestantes se reúnem nos distritos financeiros do mundo, espero que sejam capazes de sacar a reforma do sistema bancário das sombras.
A orde estabelecida pode lidar com motins. Nom pode lidar com uma conversa razoável sobre o papel dos bancos na má distribuiçom do capital e na criaçom de crises.
O chanceler britânico de Finanças, George Osborne, já indicou que parte do dinheiro que fijo surgir o Banco da Inglaterra deveria ser encaminhado para as pequenas e médias empresas, numa admissom tácita de que o setor financeiro na sua forma atual nom pode apoiar de forma adequada o setor produtivo. O control privado e irresponsável da oferta de moeda - o arquétipo de privilégio inconstitucional – falhou, e esta falha está a traer miséria para milhões de persoas ao redor do mundo.
Na primavera deste ano no norte da África começou uma discussom sobre a sociedade e a economia que queremos. Agora Europa e América do Norte estám a unir-se a ela. Os problemas que enfrentamos som complicados, é verdade, mas nom tanto como querem fazer ver alguns. Começaremos a ver como resolvê-los quando tenhamos uma compreensom clara dos fundamentos de organizaçom social, incluindo as origes e a natureza do dinheiro.
É um entendimento que os atualmente poderosos prefeririam que nom tivéssemos. Afinal, como dixo outro grande ironista americano, Walter Karp, "o poder usurpado só é seguro mentres permaneça despercebido". Por muito tempo, os bancos tenhem moldado as leis da troca econômica em privado. Mesmo em meio de uma crise da dívida, o seu privilégio tem escapado polo de agora ao nosso entendimento. Chegou o momento de que se torne o objeto da nossa atençom constante e paciente.

